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Após falta de médicos em postos de saúde de Porto Alegre, nova gestora promete solução para os próximos dias

Levantamento do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul na segunda-feira apontou equipes incompletas em parte das unidades

08/07/2026 - 10h01min


Isadora Garcia
Isadora Garcia
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Eduardo Paganella
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Rochane Carvalho/GZH
Troca de gestão de unidades de saúde de Porto Alegre gerou protestos recentemente.

Após parte das unidades de saúde de Porto Alegre registrar falta de médicos, a nova empresa responsável pela gestão promete que as vagas serão preenchidas "nos próximos dias". O Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG) está assumindo, desde sábado (4), a prestação de serviços de parte das unidades de saúde e clínicas de família do município.

Na segunda-feira (6), o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) relatou falta de pelo menos 27 profissionais ao analisar a situação de 21 unidades das 38 operadas pelo instituto. Ainda que alguns profissionais ligados à gestão anterior tenham optado por permanecer trabalhando, havia unidades com equipes incompletas.

— O que nós percebemos foi que aproximadamente 50% das vagas para médicos estão vazias e, portanto, a nova empresa que entra não teve a capacidade de preencher as escalas e de garantir o atendimento da forma que a população de Porto Alegre merece — avalia o presidente do Simers, Marcelo Matias. 

De acordo com o IAG, a falta de médicos se deve a desistências do quadro da gestão anterior e à movimentação da documentação de novas contratações. A Zero Hora, a empresa garantiu que "o cadastro reserva está sendo chamado". 

Em nota, a empresa informou que, "dos 101 médicos necessários, só existe uma vacância de 25 profissionais" e que nenhuma unidade deixou de atender (leia abaixo).

Na região Leste, a nova empresa começou a atuar em três postos no último sábado e, nos 35 restantes, na segunda-feira. Em 15 de julho, a gestora iniciará os trabalhos em 28 unidades da região Norte da cidade, além da farmácia distrital.

Antes da troca de gestão, esses locais eram operados pela Santa Casa de Porto Alegre e pela Rede de Saúde Divina Providência. Questões financeiras, no entanto, levaram à desistência.

Confira nota do Instituto de Apoio à Gestão Pública

O Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG), vem a público esclarecer sobre o andamento da transição de gestão da saúde primária da região leste de Porto Alegre. O IAG reforça que todas as medidas adotadas seguem os princípios da transparência e responsabilidade  com a população. 

Nas UBSs da região leste, dos 101 médicos necessários, só existe uma vacância de 25 profissionais, cujas vagas já estão sendo substituídas, nos próximos dias, por novas contratações, que estão com documentações em andamento. 

É importante reforçar, que nenhuma Unidade de Saúde, deixou de atender as demandas de pacientes, que buscam atendimento.

O IAG permanece à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas e reafirma seu compromisso com o bem-estar dos cidadãos de Porto Alegre.

Unidades com equipes incompletas na segunda-feira

  • US Chácara da Fumaça: duas vagas em aberto
  • CF Campo da Tuca: três vagas
  • US Timbaúva: duas vagas 
  • US Morro da Cruz: duas vagas
  • US Recreio da Divisa: duas vagas
  • US Morro Santana: três vagas
  • US Lomba do Pinheiro: uma vaga
  • US São José: duas vagas
  • US Panorama: duas vagas
  • US Esmeralda: uma vaga
  • US Vila Vargas: três vagas
  • US Safira Nova: uma vaga
  • US Tijuca: uma vaga
  • US Santo Alfredo: uma vaga
  • US Jardim da Fapa: uma vaga

Fonte: Simers

O que diz a Secretaria de Saúde de Porto Alegre

A Secretaria de Saúde de Porto Alegre afirma que acompanha a situação. Na segunda-feira, integrantes da pasta identificaram "situações pontuais relacionadas à adaptação de novos profissionais às rotinas e aos sistemas utilizados nas unidades, o que pode ter impactado o tempo de atendimento em alguns serviços". 

A pasta reforça que a contratação e manutenção de profissionais são responsabilidades da nova empresa e afirma que tem cobrado as obrigações. 

Confira a nota completa abaixo

A Secretaria Municipal de Saúde acompanha de forma permanente a execução do contrato de gestão das unidades de saúde por meio de equipes técnicas da Diretoria de Atenção Primária à Saúde. Nesta segunda-feira, 6, profissionais da secretaria estiveram nas unidades da Região Leste para monitorar o funcionamento dos serviços, verificar as condições de atendimento e acompanhar o processo de transição da nova gestora.

Foram identificadas situações pontuais relacionadas à adaptação de novos profissionais às rotinas e aos sistemas utilizados nas unidades, o que pode ter impactado o tempo de atendimento em alguns serviços. A Secretaria está acompanhando diariamente a composição das equipes, o funcionamento das unidades e a prestação da assistência.

A contratação e a manutenção dos profissionais são responsabilidades da organização gestora, que está sendo cobrada pela Secretaria para recompor as equipes e cumprir integralmente as obrigações previstas em contrato. Sempre que forem constatadas inconformidades, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis.

As informações levantadas durante a transição na Região Leste também subsidiarão o acompanhamento da implantação da nova gestão nas unidades da Região Norte, com fiscalização desde o início da operação para garantir a continuidade da assistência à população.

A população também pode registrar manifestações e eventuais ocorrências por meio do serviço 156. Todas as demandas são analisadas pela Secretaria e, quando identificadas irregularidades, são adotadas as providências previstas em contrato.

Salários

O Simers também iniciou representações jurídicas para barrar o corte que pode chegar a 30% na remuneração dos médicos e a até 60% na de outros profissionais, conforme a entidade. A situação gerou protestos nos últimos dias.

O IAG afirma que a diretoria reavalia valores salariais conforme a experiência e formação dos profissionais.

A redução dos salários, assim como o processo de transição da gestão, são acompanhados pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers). A entidade também acionou o Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS), o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) sobre o tema.

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