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Câncer de bexiga: sangue na urina é o principal sinal da doença

O tratamento é mais eficiente quando o diagnóstico é feito precocemente, ao perceber os primeiros sinais da doença. 

22/07/2026 - 10h00min


Gabriel Vieira*
Gabriel Vieira*
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Tom/adobe.stock.com
Tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de bexiga

Conhecido como Julho Roxo, o mês é dedicado à conscientização sobre o câncer de bexiga no Brasil. Ao pontuar os sinais de alerta, o médico uro-oncologista do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Andrei Centeno explica que é preciso ter atenção ao principal sintoma:

– Normalmente, o primeiro sinal de tumor de bexiga é o sangue misturado na urina, e é muito comum o paciente ter alguns fatores de risco associados a esse sangramento, que nos levam a pensar em um câncer de bexiga inicialmente – afirma. 

O especialista alerta que o sangramento costuma surgir sem dor ou outros sintomas, o que pode levar muitas pessoas a ignorarem o problema. Como esse é o principal sintoma da doença, ao perceber sua ocorrência, é importante procurar atendimento médico.

Além disso, o principal fator associado ao desenvolvimento da doença é o tabagismo. Dos pacientes que têm a doença, a maioria é ou foi fumante em algum momento da vida. 

– Se o meu paciente é tabagista e apresentou sangue na urina, eu devo ligar um alerta vermelho para a investigação do câncer no trato urinário – diz. 



Investigação

Qualquer pessoa pode desenvolver a doença, mas alguns grupos possuem maior probabilidade de ter esse tipo de câncer. Segundo Centeno, além de tabagistas no geral, os homens representam cerca de 70% dos casos diagnosticados da doença. O risco também aumenta com a idade, explica:

– O pico de incidência acontece entre os 60 e 70 anos de vida. Essa é a fase em que a gente acaba fazendo mais diagnósticos. Homens são mais acometidos pela doença, bem mais que as mulheres.

Logo após os sintomas aparecerem, as investigações iniciais podem ser feitas já na primeira consulta. Exames de urina simples e ultrassons são realizados, mas o principal é a cistoscopia, que é uma espécie de endoscopia na bexiga. 

– A gente coloca uma câmera bem pequena pela uretra, chega até a bexiga e consegue ver o que está acontecendo, e até fazer biópsias de alguma área suspeita – explica Centeno.

Ainda existe a possibilidade de o paciente já sair da consulta com o tratamento iniciado. 

– Feito o diagnóstico, o tratamento ainda é endoscópico. Pela uretra, a gente faz uma raspagem da bexiga, chamada de ressecção de tumor da bexiga. Então, conseguimos, ao mesmo tempo, fazer o diagnóstico do tipo de tumor e já tratar quase que totalmente.

Segundo o uro-oncologista, em 80% desses casos, o tratamento endoscópico é suficiente para eliminar o problema do tumor da bexiga.


Cuidados e tratamento

Os exames de investigação e os tratamentos para o câncer de bexiga estão disponíveis tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na rede privada. Centeno afirma que quanto mais cedo a doença for diagnosticada, mais eficaz é o tratamento no organismo do paciente: 

– Ao menor sinal de algum desconforto na urina, e principalmente sangue, o paciente deve procurar o urologista para investigar.

Além disso, novas pesquisas têm sido divulgadas para tentar frear a progressão da doença. 

– Novos estudos promissores com imunoterapia mostram um sucesso impressionante com medicações que eliminaram o tumor da bexiga em 60% dos casos, algo nunca antes imaginado – conta. 

O médico ainda ressalta que é essencial evitar o tabagismo, para não correr o risco de desenvolver a doença e procurar atendimento médico, caso apresente algum dos sintomas.


Os dois tipos de tumor

Com o diagnóstico, é possível entender como proceder com os possíveis tratamentos e qual dos tipos de tumor o paciente tem.  

/// No tipo mais brando, o tumor fica restrito à mucosa da bexiga, sem atingir camadas mais profundas. Nesses casos, o tratamento costuma ser realizado por meio de uma ressecção endoscópica, feita pela uretra.

/// O segundo tipo é mais agressivo e precisa de uma ação mais intensa. O tumor invade o músculo da bexiga e exige um tratamento mais forte. Em muitos casos, é necessária a retirada completa do órgão. 


*Com orientação e supervisão de Émerson Santos

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