Notícias



Gaúchos em alerta

Chuva e vento acima de 100km/h provocam danos em 18 municípios e deixam desalojados: os impactos do clima no RS neste sábado

Milhares de gaúchos também tiveram o abastecimento de energia elétrica interrompido ao longo do dia 

18/07/2026 - 21h21min


Mathias Boni
Mathias Boni
Enviar E-mail
Duda Fortes/Agencia RBS
Principais registros foram danos estruturais em prédios, vias interrompidas por árvores e postes caídos.

Apesar de ainda não terem chegado com a força inicialmente projetada, a chuva e os ventos registrados neste sábado (18) no Rio Grande do Sul causaram estragos em 18 municípios e deixaram oito pessoas desalojadas. Os alertas para temporais seguem em nível máximo no Estado pelo menos até terça-feira (21)

Conforme o mais recente boletim da Defesa Civil do Estado, divulgado às 18h, 18 municípios reportaram danos ao longo do dia, como destelhamentos, danos estruturais em prédios, vias interrompidas por árvores e postes caídos. São eles:

  1. Aceguá
  2. Agudo
  3. Alegrete
  4. Arroio Grande
  5. Bagé
  6. Gramado
  7. Jaguari
  8. Novos Cabrais
  9. Pinheiro Machado
  10. Quaraí
  11. Santa Maria
  12. Santiago
  13. Santo Ângelo
  14. São Borja
  15. São Francisco de Assis
  16. São Martinho da Serra
  17. São Pedro do Sul e 
  18. Uruguaiana 

Em dois desses municípios, houve desalojados: cinco pessoas de duas famílias, em Alegrete, e outras três em São Borja.  

Volume de chuva e vento

Ainda conforme o boletim da Defesa Civil, o município gaúcho que registrou a maior quantidade de chuva acumulada entre 6h e 18h foi Santa Vitória do Palmar, com 41,4 milímetros (mm). No mesmo período, Jaguarão acumulou 35,6mm, Herval, 17,3mm, e Aceguá, 14mm.

As rajadas de vento mais fortes registradas no Estado neste sábado, segundo acompanhamento da Climatempo, foram em Caraá, no Litoral Norte, com velocidade de 113 km/h. Santa Vitória do Palmar (97,9 km/h), Panambi (95,8 km/h), Jaguari (93,3 km/h) e Aceguá (88,6 km/h) também foram atingidos por rajadas de vento que, segundo a Escala de Beaufort, tradicional medida usada para classificar as diferentes velocidades, são categorizadas como vendavais. 

Cerca de 18 mil consumidores estavam sem energia elétrica no Rio Grande do Sul em razão da chuva e das rajadas de vento até as 18h. Eram 10.102 clientes com o serviço interrompido na área de abrangência da RGE, e outros 8.163 na área da CEEE Equatorial.

Próximos dias

Nos próximos dias, o Estado segue em alerta para a evolução dos eventos climáticos. No domingo (19), a frente fria ganha intensidade e concentra maior risco de tempestades severas sobre o Oeste, Missões, Região Central, Região Metropolitana e Campanha.

— A gente teve basicamente até agora o vento forte associado ao vento norte, que trouxe esse ar quente para o Rio Grande do Sul, mas esse vento norte também contribui para manter a frente fria ainda sobre o Uruguai, que tem tido tempestades, chuva forte, granizo. Essa condição de vento também trouxe uma camada de inversão térmica, que está dificultando a formação das áreas de chuva aqui no Rio Grande do Sul e o avanço dessa frente fria. A previsão que nós tínhamos inicialmente era dessa frente fria avançar ao longo do dia de hoje pelo Estado, mas o sábado vai terminar e o sistema ainda continua localizado no Uruguai. Essa condição, no entanto, deve começar a mudar na próxima madrugada — analisa Murilo Lopes, meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Os acumulados de chuva poderão ultrapassar os 100 milímetros no Oeste e na Região Central, enquanto na região dos Vales os volumes podem superar 50 milímetros.

O transporte de calor e umidade continuará favorecendo um ambiente altamente instável, com condições para:

• Rajadas de vento acima de 90 km/h

• Queda de granizo;

• Intensas descargas elétricas;

• Chuva forte.

— A gente vai ter o escoamento desse ar quente e úmido, então a gente vai ver essa frente fria avançando e aí provocando a chuva. A grande questão é como esse sistema vai persistir por um tempo menor no Estado, mas os acumulados ainda devem ser altos, especialmente na área da Campanha. A previsão não muda muito, mas a gente tem essas condições atmosféricas que até o momento estão dificultando esse avanço para o Estado — complementa o meteorologista Murilo Lopes.


MAIS SOBRE

Últimas Notícias