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Tempo severo ⛈️

Chuva retorna ao RS e preocupa especialistas: veja a previsão do tempo para a semana

Prognóstico indica mais de 200 milímetros de chuva ao longo da semana, com risco de queda de granizo e rajadas de vento acima de 90 km/h em algumas regiões

27/07/2026 - 11h18min


Rodrigo Stolzmann*
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Júlia Ozorio
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Duda Fortes//Agencia RBS
Tempo instável vai favorecer a elevação do nível dos rios novamente.

A trégua durou pouco. Depois de um sábado de sol e um domingo com pancadas pontuais, o Rio Grande do Sul deve ter mais temporais na próxima semana. A previsão aponta para acumulados superiores a 200 mm entre este domingo e , com ênfase na primeira metade do período.

O volume esperado deve ficar pelo menos 20% acima da média histórica do mês do julho, que é de 163,5 milímetros. Os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e sintetizam a variação dos acumulados no Estado de 1991 até 2020. 

— Tem risco de chuva forte com alagamentos. O principal foco é: os rios do Rio Grande do Sul estão com seus níveis elevados — alerta o meteorologista da Climatempo Gustavo Verardo. 

A instabilidade ganha força à medida que a semana avança. As condições mais críticas devem ser observadas entre segunda e quarta-feira (29), favorecendo a elevação das águas. Espera-se um repique entre a sexta-feira (31) e o sábado.

— Pode haver uma precipitação intensa (entre sexta-feira e sábado), embora exista ainda um pouco de incerteza entre os diferentes modelos — explica o meteorologista Bruno Ribeiro.

Vai subir de novo?

Duda Fortes/Agencia RBS
As condições são diferentes das observadas em 2024.

A volta das chuvas traz consigo o temor de novas enchentes, especialmente em razão do desastre ocorrido em 2024.

Neste domingo (26), o Centro de Monitoramento da Defesa Civil emitiu um alerta para risco de inundações, além de cheias em arroios, pequenos rios e alagamentos em áreas urbanas até quarta-feira (29) em razão da previsão dos novos volumes de chuva.

O boletim informa, no entanto, que a tendência geral é de estabilidade ou declínio nos níveis dos rios. As áreas mais críticas são:

  • Baixo Rio Uruguai, entre São Borja e Uruguaiana
  • Rio Jacuí, desde Dona Francisca até o Delta do Jacuí
  • Rio dos Sinos, em São Leopoldo

A Defesa Civil também chama atenção para o risco de inundação em outros cursos d'água caso a previsão de chuva se confirme. Entre eles estão:

  • Rio Ibirapuitã, em Alegrete
  • Rio Santa Maria, em Dom Pedrito e Rosário do Sul
  • Rio Ibicuí, em Manoel Viana
  • Rio Quaraí, em Quaraí.

No caso do Guaíba, Fernando Meirelles, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, afirma que as condições atuais são muito diferentes das observadas em 2024.

O especialista explica que o nível do Guaíba é fortemente influenciado pelos rios que desaguam nele, como o Jacuí, Taquari e Caí. A princípio, não há previsto nos arredores volumes que justifiquem inundações de grande proporção na Capital. 

Porém, Meirelles destaca que a grande maioria das estações meteorológicas do Estado estão fora de funcionamento. Segundo ele, o número reduzido de aparelhos dificulta o acesso a dados e compromete um acompanhamento hidrológico mais preciso. 

O que esperar daqui para frente

Jeff Botega/Grupo RBS
Para a próxima quinzena, a tendência é de acumulados expressivos.

Segundo boletim da Defesa Civil Estadual, entre a segunda-feira (27) e a terça-feira (28), o risco de tempestades severas aumenta. Existe a possibilidade de queda de granizo, rajadas de vento acima de 90 km/h e chuva intensa e volumosa, especialmente no Oeste, na Campanha, nas Missões e no Centro do Estado. As regiões Sul, Serra, Vales, Costa Doce, Litoral e Metropolitana também podem ser afetadas. 

O prognóstico do Centro de Monitoramento da Defesa Civil do RS também alerta para risco de tornado nessas regiões neste período. 

Na madrugada de quarta-feira (29), persiste a condição para tempestades com rajadas de vento, queda de granizo e chuva forte nas regiões Norte, Noroeste, Nordeste, Serra, Vales, Serra e Litoral Norte.

As temperaturas devem oscilar ao longo da próxima semana, com abafamento mesmo com pancadas de chuva entre segunda a quarta. Os termômetros devem ficar entre os 11ºC nas mínimas e os 23ºC nas máximas, em Porto Alegre, segundo previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O tempo esfria entre quarta e quinta-feira, com mínimos abaixo dos 10ºC em algumas regiões, em razão da passagem de uma massa de ar frio pelo Estado. No entanto, o abafamento retorna na sexta-feira. 

O início de agosto não promete grandes mudanças. Os modelos meteorológicos apontam que, para a próxima quinzena, a tendência segue sendo a instabilidade, com grande probabilidade de altos acumulados de chuva. 

— Haverá precipitação na primeira semana de agosto, que também pode ser intensa. Esse período dos próximos 15 dias deve ser marcado por precipitação intensa no Estado, com acumulados que podem ser bastante expressivos — destaca Bruno Ribeiro.

Estragos e impactos

Renan Mattos/GRUPO/RBS
Centenas de cidades já registraram danos em razão das chuvas.

Até o momento 214 municípios reportaram danos ocasionados pela cheia, de acordo com balanço da Defesa Civil neste domingo. Entre as ocorrências estão bloqueios e interdições de pontes e vias, casas e telhados danificados, postes e árvores caídas. 

Também houve deslizamentos de terra em Arroio do Meio, no Vale do Taquari, em razão da chuva. Escolas foram impactadas em cidades como Santa Maria, Cerro Grande, São Francisco de Paula, São Pedro do Sul, Taquara e São Gabriel. Hospitais registraram alagamentos em Santa Maria, Bagé e David Canabarro. 

Pessoas fora de casa

Mais de 1,2 mil pessoas seguem fora de casa — entre desalojadas e desabrigadas — no Estado em razão da chuva. O número, no entanto, chegou a mais de 1,8 mil ao longo da semana. Um dos municípios mais afetado foi Lajeado, que já precisou acolher 540 moradores em abrigos públicos.

O balanço da Defesa Civil indica que 754 pessoas seguiam desalojadas devido à elevação das águas no Estado. 

Uma atualização do painel de monitoramento de abrigos da Secretaria de Desenvolvimento Social, também neste domingo, indica que o Rio Grande do Sul tem 531 pessoas desabrigadas, distribuídas em nove abrigos ativos em oito municípios.

  • Desabrigados são aqueles que tiveram de sair de casa e estão sob responsabilidade do município, sendo encaminhados para abrigos públicos ou da sociedade civil;
  • Desalojados são pessoas que saem de seus lares e são acolhidas nas casas de familiares, amigos ou conhecidos.

*Sob orientação e supervisão de Júlia Endress


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