Espaço reduzido
Com obra inacabada, Colégio Protásio Alves está sem ginásio, laboratório e refeitório
Reforma deve ser retomada neste mês e está prevista para o final do ano, conforme a Secretaria de Obras Públicas do RS

Sem pátio, ginásio esportivo e laboratório de ciências, há meses o Colégio Estadual Protásio Alves enfrenta falta de espaço para as atividades pedagógicas. Interditados por conta de uma reforma para recuperação da infraestrutura, os espaços estão fazendo falta.
— É muito importante que eles ocupem o ginásio, temos que garantir alimentação, esporte para eles e espaços adequados. Precisamos que essa obra termine o quanto antes e contamos com a colaboração de todos os envolvidos na obra, porque é necessário. A educação é prioridade — alerta a diretora da escola, Mariett Cabral.
A instituição no bairro Azenha, em Porto Alegre, conta com cerca de 1 mil alunos e 95 anos de história. O colégio está em reforma desde junho de 2025. Com o excesso de materiais e entulhos da obra no pátio e no ginásio esportivo, tornou-se inviável utilizar os espaços, que foram fechados.
Com isso, atividades como as aulas de Educação Física estão sendo conduzidas em outros locais da escola, como as salas de aula regulares.
— O espaço é reduzido, os alunos se queixam bastante. Fazemos (Educação Física) dentro das salas de aula, mesmo. Eles adaptam. Temos mesas de pingue-pongue para eles, tabuleiro de xadrez. Eles ficam correndo, subindo e descendo as escadarias, pulando corda no corredor — relata a diretora.
Em visita à escola, a reportagem flagrou diversas salas de aula com intervenções inacabadas – muitas delas já pintadas, mas com buraco no teto, piso removido ou materiais de obra impedindo o uso do espaço. Mais de 10 salas estão sendo reformadas.
Outro desafio são as aulas de Ciências da Natureza. Sem o laboratório, que está servindo de arquivo da escola, uma vez que a sala do arquivo ficou interditada, não é possível realizar experimentos. O professor de Biologia, Juliano Barreto, trabalha com os espaços possíveis de serem utilizados.
— Durante esse ano todo a gente não conseguiu desenvolver atividades práticas no laboratório. Algumas aulas práticas que a gente dependia do espaço estamos tentando adaptar para a sala de aula. E em outras estamos trocando por outra atividade não prática. Um pouco mais de pesquisa teórica, tentando trabalhar com o espaço que a gente tem — conta.
Um laboratório de informática também está interditado. Com isso, estão sendo usados temporariamente laboratórios destinados aos cursos técnicos, bem como chromebooks.
A diretora lamenta a situação e espera que, até o final do ano, seja possível utilizar o pátio para que ao menos possa ser feita na própria escola a formatura dos estudantes que estão concluindo o Ensino Médio:
— Queremos que esteja pronto até o final do ano. Estamos utilizando espaços alternativos dentro da própria escola, mas isso prejudica a qualidade do ensino. Essa falta de organização do ambiente escolar desmotiva eles.
Obra está parada
A reforma, parada desde fevereiro por conta de entraves burocráticos, deve ser retomada neste mês de julho, segundo a Secretaria de Obras Públicas (SOP). A obra está paralisada há cinco meses por conta da necessidade de elaboração de um aditivo ao contrato original para incluir serviços necessários à recuperação da escola, demandas não previstas inicialmente.
O aditivo ao contrato está pronto, ainda assim, os trabalhos não foram retomados até a publicação desta reportagem.
Conforme informado pela pasta, a conclusão da obra está prevista para dezembro de 2026. “Em uma obra desta envergadura, realizada em prédio antigo e de grandes dimensões, é comum surgir a necessidade de intervenções não previstas inicialmente”, explica a SOP em nota.
Além da recuperação da infraestrutura, a obra prevê instalação de um elevador e de rotas de saída de emergência. A reforma conta com investimento total de quase R$ 6,3 milhões.
Expectativa pelo refeitório
Outra demanda importante que a obra prevê é a construção de um refeitório na escola, que vem gerando grande expectativa da comunidade escolar. Apesar de ter sete merendeiras, o Protásio Alves não tem um espaço para alimentação. Com isso, não é possível oferecer refeição completa aos alunos.
— Temos o espaço, falta inaugurar. Estamos tendo que distribuir lanche alternativo, porque os alunos precisam comer. Mas queremos fornecer alimentação de qualidade, muitas famílias necessitam disso, às vezes a alimentação que eles recebem aqui é o que eles conseguem. Como eles vão ter um aprendizado de qualidade sem alimentação adequada? — questiona Mariett.
Atualmente, os estudantes recebem lanches preparados pela própria equipe da escola. Já construído, o prédio onde será instalado o refeitório fica no pátio, junto ao ginásio. Em breve, será instalada no local uma coifa industrial para preparo da merenda.