Direto da Redação
Danielly Olivieira: tchau, Porto Alegre
Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano


Lembro exatamente do dia em que cheguei à capital gaúcha pela primeira vez. Era 23 de junho de 2019, um domingo de inverno ensolarado, dois dias depois do meu aniversário de 19 anos. Eu odiei a cidade de cara. Mas saibam que eu vinha de uma realidade muito diferente.
Era como se tivesse me mudado para outro país. O clima, a comida, as pessoas e até a forma de falar eram diferentes. Eu me sentia completamente deslocada.
A ideia era fazer a faculdade de Jornalismo e ir embora. Aos poucos, porém, essa cidade gelada – e quente também – me conquistou. O frio continuou insuportável e o calor do verão pior ainda. Mesmo assim, passei a amar o pôr do sol no Guaíba, o samba na Casa de Cultura Mario Quintana e as corridas matinais na Redenção.
Até churrasco eu comecei a comer depois de quatro anos de vegetarianismo. Porto Alegre acolheu tão bem essa rondoniense que agora me sinto profundamente triste em partir.
Detesto Despedidas
Dar tchau para essa cidade tem sido mais difícil do que imaginei. Ando pelas ruas tentando memorizar cada canto e pensando nos lugares que nunca vou conhecer. Porto Alegre não foi apenas minha casa por sete anos. Ela também me deu uma família.
Contrariando todas as minhas expectativas e preconceitos, conheci algumas das melhores pessoas que já passaram pela minha vida e tive o privilégio de chamá-las de amigas.
Essa cidade me transformou de um jeito que eu jamais poderia imaginar. Cheguei aqui sozinha, com duas malas, uma bolsa de estudos e muitos sonhos. Hoje, a única certeza que tenho é que não vou embora sozinha.
Levo comigo cada pessoa que conheci e cada momento que vivi aqui. Porque, no fim, Porto Alegre me ensinou muita coisa, mas a mais valiosa foi esta: eu até posso andar só, mas é muito melhor quando se tem alguém do lado.