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Evento em Porto Alegre reflete sobre memória e identidade a partir da literatura
Nas sextas-feiras, o colunista Émerson Santos escreve sobre educação, cultura, inovação e toda a diversidade presente nas comunidades


A literatura tem funções diversas. Ela alimenta a criatividade, ajuda a construir um repertório cultural, a entender melhor a complexidade do mundo, a aprimorar leitura e escrita, além de muitas outras que poderíamos pensar. Logo, dar acesso aos livros e a uma educação que estimule a leitura são formas de potencializar as pessoas. Nas comunidades, quando ocorrem ações nesse sentido, elas cumprem um papel de fortalecer o próprio território, a partir de quem mora lá.
Pois bem, as instituições que melhor personificam todo esse movimento são as bibliotecas comunitárias, que acabam por se tornar espaços que promovem a cultura em seus bairros. Vou falar hoje do evento que uma delas, de Porto Alegre, vai realizar no sábado (1°).
A Biblioteca Comunitária Girassol (Avenida Tolêdo Piza, 390) fica no bairro Sarandi, Zona Norte. Faz parte de uma rede que reúne organizações como ela de diferentes cidades do Estado. Chamado Beabah!, esse grupo existe desde 2008 e tem como foco de seu trabalho justamente a democratização do acesso à cultura por meio dos livros.
Sábado (1°), às 14h, a Girassol vai receber a escritora, educadora e pesquisadora Perla Sântos. A conversa tem um ponto de partida, que é o livro Zacimba e a Nobreza Negra. Trata-se de uma obra em que Perla fala sobre a trajetória de Zacimba Gaba, princesa africana que foi escravizada no Brasil. Por aqui, teve uma importante atuação como liderança nas lutas contra a escravidão no Estado do Espírito Santo, no século 17.
A convidada irá trocar ideias sobre essa história e pensar nos pontos de conexão que a narrativa tem com os dias atuais. Vai refletir sobre o papel de se resgatar trajetórias antes ignoradas e de que forma elas podem colaborar para que as pessoas compreendam melhor as suas ancestralidades. Isso fala sobre memória, representatividade, autoestima e até o fortalecimento da própria identidade.
Algo interessante desse evento é que ele está ligado a um movimento contemporâneo importante de olhar para o passado do país e mostrar que, por aqui, sempre existiram muitos heróis e heroínas que lutaram contra a escravidão, o racismo e as diferentes formas de opressão. Ainda há muita história para ser contada sobre a formação do Brasil.
Escritas Periféricas
O encontro é gratuito. Ele faz parte do 2º ciclo do Clube de Leitura da Rede Beabah!, voltado à formação de mediadoras de leitura das bibliotecas comunitárias. A atividade faz parte do projeto “Escritas periféricas”, que tem apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (IPHAE). O financiamento do projeto é da Pró-Cultura RS, da Secretaria de Estado da Cultura do RS (SEDAC/RS), do Sistema Nacional de Cultura (SNC), do Ministério da Cultura (MinC).
Uma noite de realeza com a Casa de Atrevida

Uma noite de celebração à cultura Ballroom. Um encontro para honrar o legado daquelas pessoas que constroem a cena. Sábado (1°), às 19h, o Teatro Oficina Olga Reverbel, no Centro Histórico da Capital, recebe a Royalty Ball: Legacies.
Promovido pela Casa de Atrevida, esse baile foi pensado como um evento que vai além da disputa por troféus. Em suas redes, o grupo destaca que o foco é reconhecer trajetórias. O que tem total conexão com o que é a Ballroom.
Para quem ainda não conhece esse potente movimento, um breve resumo: trata-se de uma cultura criada por pessoas negras e LGBT+ nos Estados Unidos. Ela se consolidou, ganhou o mundo e hoje tem forte presença em Porto Alegre.
As balls são o momento em que a comunidade se reúne para competir em batalhas que são divididas por categorias, como dança, desfile de passarela, estética e outras. Um encontro multiartístico.
Mas, como disse a galera da Casa de Atrevida, vai além de batalhas. Formou-se uma comunidade na qual seus integrantes encontram espaço para se expressarem de forma livre e segura.
Dentro dessa cultura, aquelas pessoas que são lideranças ou têm relevante contribuição para o movimento acabam recebendo títulos variados. A Royalty Ball irá celebrar quem alcançou reconhecimento e prestígio. As pessoas que carregam títulos, status nas houses e contribuem para o desenvolvimento da Ballroom no RS e no Brasil, explica o grupo no material de divulgação.
Os ingressos são acessíveis, com valores a partir de R$ 15, e podem ser adquiridos online.
Atualmente, a Casa de Atrevida conta com 14 integrantes, sendo duas mothers e dois princes, responsáveis por guiar, educar e cuidar dos membros. Ally de Atrevida é quem fundou o grupo.