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"Existe uma prevenção muito clara": casos de sarampo em São Paulo acendem alerta para se proteger contra a doença

Vírus é extremamente contagioso e pode causar complicações

08/07/2026 - 14h38min


Diogo Duarte*
Diogo Duarte*
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Manchas vermelhas na pele é um dos sintomas do sarampo.

Casos de sarampo registrados em São Paulo motivaram a Secretaria de Saúde de Porto Alegre (SMS) a emitir uma nota informativa e um alerta epidemiológico sobre a doença na última quinta-feira, destacando a importância da cobertura vacinal para se proteger. 

Por isso, a coluna conversou com o infectologista e professor de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Eduardo Sprinz, buscando entender mais sobre a condição, que, apesar de considerada eliminada no Brasil pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), tem voltado à tona e já conta com ao menos oito casos confirmados no país apenas neste ano, conforme o órgão municipal. 

Segundo o professor, os primeiros sinais do sarampo confundem-se com sintomas frequentemente associados a gripes e a outras doenças, como mal-estar, febre, nariz escorrendo e vermelhidão nos olhos. 

Alguns dias depois, o quadro costuma evoluir, e é nesse período que se manifestam os sintomas mais clássicos: manchas esbranquiçadas na parte interna das bochechas e erupções cutâneas na pele. 

Em relação à transmissão, Sprinz explica que o único hospedeiro conhecido do sarampo é o próprio ser humano, e que o contágio se dá por meio de gotículas no ar

– Essas gotículas podem permanecer no ar por cerca de duas horas. Como ele é um vírus extremamente transmissível, a imensa maioria das pessoas não vacinadas que forem expostas serão contaminadas – ressalta o professor da UFRGS, adicionando que a transmissão pode ocorrer antes mesmo de os sintomas se intensificarem. 

Vacinação

Não há tratamento específico para o sarampo, o que deixa o indivíduo infectado suscetível a complicações como pneumonia, otite (infecção no ouvido) e encefalite aguda (inflamação no cérebro), de acordo com o Ministério da Saúde. A gravidade da doença é tamanha que ela pode inclusive levar à morte em casos mais sérios. 

– Embora não haja um tratamento específico, existe uma prevenção muito clara. Se não fosse pela hesitação vacinal, certamente o sarampo não circularia mais entre nós. É extremamente importante que as pessoas consigam se vacinar, e, vacinando-se, estarão protegidas – enfatiza Sprinz.  

Para o infectologista, é justamente esse o fator que explica o aumento de casos de sarampo: 

– A covid-19 acendeu para algumas pessoas um falso alerta de que a vacinação é prejudicial. Sabemos que a vacina funciona quando a gente não fala na doença. A pandemia, infelizmente, trouxe uma espécie de desserviço a toda a nossa campanha de conscientização da população, e algumas pessoas deixaram de se vacinar, o que aumenta a chance de o sarampo circular entre nós. 

Detalhes da prevenção

A proteção contra a doença pode ser feita por meio de três vacinas diferentes: a dupla viral (proteção contra sarampo e rubéola), a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) e a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). A dupla viral pode ser utilizada como bloqueio vacinal, para evitar o desenvolvimento da doença a quem teve contato com alguém infectado. 

Indicada para pessoas de até 59 anos (detalhes abaixo), a vacina é contraindicada para gestantes e pessoas com imunodeficiência. Conforme a SMS, o imunizante está disponível em todas as unidades de saúde da Capital.

Em 2025, Porto Alegre confirmou um caso da doença em uma pessoa com histórico de viagem aos Estados Unidos. Neste ano, ainda não há confirmação de casos na Capital. 

Como funciona o esquema vacinal

  • Pessoas entre um e cinco anos: uma dose de tríplice viral com um ano de idade e uma dose de tetra viral aos 15 meses de idade. 
  • Pessoas entre cinco e 29 anos que nunca foram vacinadas: devem fazer duas doses da tríplice viral, com intervalo de 1 mês entre as doses. 
  • Pessoas de 30 a 59 anos: devem fazer uma dose da tríplice viral. 
  • Profissionais da saúde, independentemente da idade: duas doses da vacina tríplice viral. 

Fonte: Secretaria Municipal da Saúde

*Com orientação e supervisão de Émerson Santos


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