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Perigo nas ruas

Falta de habilitação impulsiona mortes no trânsito no primeiro semestre em Porto Alegre

Quase um terço dos desastres com vítima envolveu pelo menos um condutor sem documentação adequada

13/07/2026 - 09h57min


Marcelo Gonzatto
Marcelo Gonzatto
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Matheus Goulart/Grupo RBS
Acidente com moto em janeiro na Capital.

A falta de habilitação para dirigir e o desrespeito às normas de circulação estão entre os principais fatores de risco das 45 mortes registradas no trânsito de Porto Alegre no primeiro semestre — patamar idêntico ao observado no mesmo período dos últimos dois anos.

O relatório divulgado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) revela que 30% dos acidentes com óbito envolveram pelo menos um condutor sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou com o documento em situação irregular. São sete pontos percentuais acima do que foi verificado nos primeiros seis meses de 2025.

Os condutores em situação ilegal que se envolveram em desastres com vítimas são principalmente motociclistas. Das 13 ocorrências com algum problema na carteira de um dos envolvidos, nove pilotavam esse tipo de veículo. A análise de todas as ocorrências demonstra que, entre os principais fatores de risco, na sequência aparecem o desrespeito à sinaleira ou sinal de parada obrigatória e, em terceiro lugar, excesso de velocidade e outros comportamentos imprudentes.

O diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto, sustenta que os dados observados nos primeiros seis meses poderiam ter sido piores caso tivesse se mantido a tendência de mortalidade de janeiro e fevereiro — período em que houve 20 mortes no trânsito. Nos meses seguintes, o ritmo da violência nas ruas e avenidas foi reduzido, embora não tenha sido freado por completo.

— Embora qualquer morte seja inaceitável, o resultado demonstra que conseguimos reverter uma curva que apontava para um cenário muito mais grave. Seguiremos investindo em fiscalização inteligente, infraestrutura e conscientização para preservar vidas — afirma Bisch Neto.

Em relação ao perfil mais comum das vítimas, aparecem os pedestres e, mais uma vez, os motociclistas. Os atropelamentos somaram 20 casos (44%), entre os quais metade das vítimas é formada por idosos. Já os condutores e ocupantes de moto acumularam 18 óbitos (17 estavam pilotando o veículo). Contabilizando-se todos os casos em que havia uma motocicleta envolvida, esse tipo de veículo está vinculado a 56% das mortes registradas até agora.

Os dados sobre embriaguez no primeiro semestre de 2026 em Porto Alegre ainda são parciais, uma vez que muitos exames realizados pelo Departamento Médico-Legal (DML) ainda estão em processamento. Das informações disponíveis através de registros de atendimento e testemunhas, a presença de álcool foi verificada em pelo menos quatro dos 44 acidentes com morte, ou 9%. À medida que os testes sejam concluídos, esse percentual poderá se elevar.

A EPTC sustenta que os indicadores “reforçam a necessidade de intensificar ações integradas de fiscalização, educação para o trânsito e engenharia viária, especialmente voltadas à proteção dos usuários mais vulneráveis e ao enfrentamento das principais condutas de risco identificadas pelo Programa Vida no Trânsito. As informações subsidiam o planejamento das estratégias adotadas pelo município para reduzir a violência no trânsito e preservar vidas”.

Os acidentes no primeiro semestre

  • 44 acidentes com vítimas, somando 45 mortes
  • 47% dos mortos eram condutores, 44% pedestres e 9% ocupantes de veículos
  • Por tipo de acidente, atropelamentos lideram com 45%, seguidos por choques (23%), abalroamentos (18%) e outros registros
  • 76% das vítimas são homens, e a idade média é de 49 anos
  • Dos motociclistas envolvidos em acidente com morte, 60% não eram motoboys ou mototaxis, 20% eram profissionais e estavam trabalhando, 8% eram profissionais mas não estavam trabalhando e 12% ainda não tinham confirmação
  • As vias com mais mortes são Protásio Alves (cinco óbitos), João Pessoa, Farrapos e Bento Gonçalves (três cada uma) e Assis Brasil (dois).

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