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Saúde mental

Falta de sol e dias de chuva podem afetar o humor? Entenda os sinais de alerta

Especialista explica o que é a depressão sazonal, quais sintomas merecem atenção e quando procurar ajuda

22/07/2026 - 10h02min


Laura Cosme
Laura Cosme
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Duda Fortes/Agencia RBS
Tristeza persistente, cansaço e alterações no sono podem estar relacionados à menor exposição ao sol. Entenda o que diferencia a depressão sazonal de um desânimo passageiro

A sequência de dias chuvosos, céu encoberto e pouca luz solar registrada na Zona Sul nos últimos dias não afeta apenas a rotina de quem enfrenta o frio. A redução da exposição à luz natural pode provocar alterações no organismo e influenciar diretamente o humor, o sono e os níveis de energia. Em alguns casos, esse cenário está associado ao Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), conhecido como depressão sazonal.

O transtorno é um tipo de depressão relacionado às mudanças das estações do ano, principalmente durante o outono e o inverno, quando a incidência de luz solar diminui. Diferentemente da depressão que pode surgir em qualquer época, os sintomas costumam aparecer sempre no mesmo período e tendem a reduzir com a chegada da primavera e do verão.

Apesar dessa característica, especialistas alertam que o quadro não deve ser encarado como um simples desânimo provocado pelo clima.

Segundo a psicóloga clínica Lizandra Barreto, a menor exposição ao sol interfere em mecanismos importantes do organismo e pode favorecer o aparecimento ou o agravamento dos sintomas em pessoas mais vulneráveis.

— A condição climática que vivemos atualmente traz prejuízos tanto para a saúde mental quanto para a saúde física. A falta de sol pode causar deficiência de vitamina D, que afeta o sistema imunológico. Além disso, variantes genéticas que interferem na regulação dos neurotransmissores e do ritmo circadiano podem aumentar a vulnerabilidade ao transtorno afetivo sazonal — explica.

Como a falta de sol interfere no organismo

A luz solar desempenha um papel importante na regulação do ritmo circadiano, conhecido como o relógio biológico do organismo. É ele quem controla funções como o ciclo do sono, os níveis de disposição e a produção de hormônios relacionados ao humor.

Love the wind/stock.adobe.com
Algumas pessoas passam a sentir mais sonolência, desânimo, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de energia.

Quando a exposição ao sol diminui por vários dias ou semanas, esse equilíbrio pode ser alterado. Durante o inverno, a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono, tende a aumentar, enquanto os níveis de serotonina, neurotransmissor associado ao bem-estar, podem diminuir. Como consequência, algumas pessoas passam a sentir mais sonolência, desânimo, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de energia.

— A exposição solar ajuda o corpo a regular o ciclo circadiano e liberar substâncias essenciais para o funcionamento do organismo. Além disso, está relacionada à produção de serotonina, o chamado hormônio do bem-estar — afirma a psicóloga.

Nem todo desânimo significa depressão

Assim como outros transtornos depressivos, a depressão sazonal pode comprometer a rotina e reduzir a qualidade de vida. Entre os sintomas mais comuns estão a tristeza persistente, a perda de interesse pelas atividades do dia a dia, alterações no sono e no apetite, fadiga, dificuldade de concentração e queda no rendimento no trabalho, nos estudos e nas relações pessoais.

Pessoas que já convivem com depressão, ansiedade ou outros transtornos de saúde mental também podem apresentar agravamento dos sintomas durante o inverno. Ainda assim, Lizandra ressalta que sentir desânimo em períodos de frio e chuva não significa, necessariamente, que alguém tenha desenvolvido a doença.

— É natural que algumas pessoas sintam mais desânimo durante períodos prolongados de chuva ou frio. O alerta surge quando esses sintomas persistem por semanas, interferem na rotina e passam a se repetir todos os anos na mesma época — afirma.

Quem tem maior risco?

Embora qualquer pessoa possa apresentar depressão sazonal, alguns grupos são considerados mais vulneráveis. É o caso de pessoas com histórico de depressão ou ansiedade, indivíduos com familiares que convivem com transtornos do humor, quem enfrenta níveis elevados de estresse e aqueles que passam grande parte do dia em ambientes fechados, com pouca exposição à luz natural.

Nesses casos, a redução da luminosidade pode funcionar como um fator que favorece o aparecimento ou o agravamento dos sintomas, especialmente durante os meses de inverno.

Não existe um exame específico para identificar a depressão sazonal. O diagnóstico é realizado por psicólogos ou psiquiatras, a partir da avaliação dos sintomas, do histórico do paciente e da repetição do quadro durante os períodos de menor incidência de luz solar.

— É fundamental estar atento às variações de humor e buscar acompanhamento especializado. Manter exames em dia e avaliar a necessidade de suplementação de vitaminas também pode ajudar — orienta Lizandra.

Tratamento ajuda a controlar os sintomas

Apesar da influência do clima e da luminosidade, a depressão sazonal tem tratamento. Quanto mais cedo o transtorno é identificado, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.

O tratamento varia conforme a intensidade de cada caso e pode incluir psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, uso de medicamentos antidepressivos, quando indicado, além de mudanças na rotina. Em algumas situações, profissionais de saúde também recomendam a fototerapia, técnica que utiliza luz artificial para compensar a menor exposição ao sol durante o inverno.

Além do acompanhamento especializado, manter horários regulares para dormir, praticar atividades físicas, aproveitar ao máximo a luz natural disponível, preservar o convívio social e manter uma alimentação equilibrada são hábitos que podem contribuir para reduzir os impactos da menor luminosidade sobre o organismo.

— Regular o sono é essencial, evitando cafeína após as 15h e mantendo horários consistentes para dormir e acordar. Um sono de qualidade é inegociável para a saúde física e mental — reforça.

Caso sintomas como tristeza persistente, fadiga, alterações no sono ou perda de interesse pelas atividades diárias permaneçam por semanas ou passem a se repetir a cada inverno, a recomendação é procurar atendimento psicológico ou psiquiátrico para investigação e início do tratamento adequado.

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