Tua Saúde
Frio, calor e chuva em poucos dias: como a variação de temperatura afeta o organismo e a imunidade
Muitos dias com grandes mudanças nas temperaturas necessitam de atenção para os sistemas imunológico, cardiovascular e respiratório.


Depois de uma sequência de dias típicos de inverno, o Rio Grande do Sul registrou um pico de calor incomum para julho. Em Porto Alegre, os termômetros chegaram a 33,8°C no dia 17, a maior temperatura para o mês desde 1910. Em poucos dias, os gaúchos passaram por frio, calor, chuva e aumento da umidade. Essas mudanças bruscas exigem adaptações constantes do organismo e podem impactar os sistemas respiratório, cardiovascular e imunológico.
De acordo com a professora de Enfermagem da Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Fadergs), Danuza Gatto, a amplitude térmica representa um importante desafio fisiológico, especialmente para grupos mais vulneráveis:
– Quando a temperatura ambiente muda rapidamente, o organismo precisa fazer adaptações contínuas, como vasoconstrição (no caso do frio), vasodilatação (no caso do calor), alterações da frequência cardíaca e ajustes metabólicos. Essas adaptações aumentam o estresse fisiológico, principalmente em grupos vulneráveis.
Quando essas oscilações ocorrem em um curto espaço de tempo, os cuidados devem ser redobrados, especialmente se o paciente apresentar algum tipo de doença pré-existente ou crônica.
Quando a imunidade fica mais Frágil
Durante o inverno, o organismo precisa se adaptar às baixas temperaturas e ao aumento da circulação de vírus respiratórios. Por conta da alta demanda de trabalho, ele pode apresentar modificações em seu funcionamento.
– Devido as grandes variações de temperatura, o sistema imunológico também pode sofrer modificações na resposta imunológica. Em períodos frios, a resposta das vias aéreas tende a ficar menos eficiente, aumentando a suscetibilidade a infecções virais – afirma Danuza.
Com a resposta mais lenta, muitos pacientes ficam mais expostos:
– Para muitas pessoas, isso se traduz em aumento de sintomas respiratórios, alergias, alterações da pressão arterial e sensação de mal-estar geral, especialmente quando associado ao ar seco e à circulação de vírus respiratórios típicos do inverno.
A especialista ainda esclarece que essa variação rápida de temperatura não causa nenhum tipo de doença de forma direta, mas favorece as condições para o adoecimento.
– É importante esclarecer que a mudança de tempo não causa gripe. A gripe é uma doença infecciosa provocada pelo vírus Influenza, enquanto os resfriados são causados por diversos outros vírus respiratórios. Ninguém adoece apenas porque houve uma queda ou aumento de temperatura. As oscilações térmicas podem aumentar a suscetibilidade às infecções respiratórias e agravar sintomas já existentes – explica.

Segundo a professora, nesta época, os pacientes apresentam mais resfriados, gripes e exacerbação da asma, rinite, sinusite, bronquite e até o agravamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)
Para enfrentar a estação mais fria sem problemas respiratórios, é necessário manter alguns cuidados. Segundo Danuza, algumas dicas são atemporais e valem para o ano todo, principalmente em relação à hidratação e a alimentação saudável. Para manter-se bem, é necessário manter o ambiente em temperatura agradável, o corpo protegido e a mente bem.
– Além dessas questões fisiológicas, é importante que a gente faça uma reflexão sobre os efeitos do El Niño. As pessoas em vulnerabilidade social enfrentam de uma forma diferente. Essa instabilidade meteorológica traz efeitos na saúde mental, pensando nessa integralidade corpo-mente – complementa.
Dicas para manter-se bem no Inverno
Confira algumas recomendações:
/// Vestir-se em camadas para se proteger do frio da manhã e tirar caso sinta calor
/// Ter hidratação adequada, mesmo sem sentir sede
/// Realizar limpeza nasal
/// Manter o ambiente arejado e bem ventilado.
/// Alimentação leve e equilibrada
/// Sono regulado
/// Estar com a vacinação em dia
Fique atento aos sintomas
Com o sistema imunológico mais lento, alguns sintomas podem estar mais presentes e necessitam de cuidados.
/// Dor de cabeça
/// Sonolência
/// Dores nas articulações
/// Espirros e tosses
Grupos com maior risco
/// Crianças
/// Idosos
/// Gestantes
/// Pessoas em vulnerabilidade social
/// Pessoas com doenças crônicas ou cardiovasculares