Projeção
Inmet prevê até 180 mm de chuva em regiões do RS até quarta-feira
Acumulado equivalente à média de um mês pode atingir áreas entre Cachoeira do Sul, Camaquã e o norte de Alegrete; previsão também indica risco de granizo e rajadas de vento

Pontos das regiões Central, Fronteira Oeste e Centro-Sul podem registrar entre 150 e 180 milímetros de chuva em um intervalo de 36 horas, até a manhã desta quarta-feira (29), no Rio Grande do Sul. A projeção concentra os maiores acumulados em uma faixa entre Cachoeira do Sul, Camaquã e áreas um pouco ao norte de Alegrete.
A estimativa foi apresentada pelo meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Segundo ele, a quantidade prevista para apenas um dia e meio equivale ao volume que costuma chover durante um mês inteiro nessas regiões.
— A área de maior probabilidade de acumular chuva acima de 100 milímetros é essa região de Cachoeira do Sul, Camaquã e um pouco acima de Alegrete, que pode ter volumes de 150, talvez beirando 180 milímetros — explicou Schneider.
Os 180 milímetros, portanto, não são esperados em todo o Estado. O volume representa o limite superior projetado para pontos da faixa indicada pelo meteorologista. Outras regiões também devem ter chuva e tempestades, mas com acumulados diferentes.
O Inmet mantém aviso vermelho para acumulados elevados em parte do RS. Conforme Schneider, algumas áreas entre São Gabriel, Alegrete, Santa Maria e Cachoeira do Sul já se aproximavam de 40 milímetros nesta segunda-feira (27). A previsão indica intensificação da chuva na virada para terça-feira (28), com volumes maiores ao longo do dia.
Previsão para granizo e vento forte
Além da chuva persistente, o Estado pode registrar tempestades acompanhadas de granizo e rajadas de vento. O risco se estende a diferentes regiões pelo menos até a madrugada de quarta-feira.
Schneider explicou que a faixa central concentra a maior probabilidade de acumulados elevados. Na Região Norte, onde as temperaturas devem permanecer mais altas antes da chegada da instabilidade, a principal preocupação é com temporais localizados, granizo e vento.
O aviso para tempestades considera a possibilidade de rajadas próximas de 100 km/h, além de chuva forte e queda de granizo. A ocorrência desses fenômenos, no entanto, deve variar de um ponto para outro.
Na avaliação do meteorologista, os volumes projetados se aproximam dos registrados na semana passada. A diferença está na localização da chuva mais intensa. No episódio anterior, a instabilidade avançou para o Norte e permaneceu sobre áreas do Planalto e da Serra, contribuindo para a elevação rápida do Rio Taquari.
Desta vez, o cenário mais provável mantém os maiores acumulados mais ao Sul, sobre a faixa central, o Sudoeste e parte do Centro-Sul do Estado.
Deslocamento da chuva pode mudar as bacias mais atingidas
A posição da frente fria será determinante para os reflexos nos rios. Schneider explicou que uma mudança entre 100 e 150 quilômetros para o Norte em relação ao cenário mais provável levaria a chuva mais intensa para as bacias dos rios Taquari, Caí, Sinos e Jacuí.
Nesse caso, aumentaria a contribuição de água para o Guaíba nos dias seguintes. O meteorologista estima que a água acumulada nessas bacias possa levar entre três e seis dias para chegar ao lago, dependendo do rio e do local onde a chuva ocorrer.
Apesar de os maiores volumes não estarem inicialmente projetados para as cabeceiras do Taquari, Schneider afirma que a região não pode ser descartada. A posição do sistema ainda pode mudar durante o avanço da instabilidade e deverá ser reavaliada nesta terça-feira.
O Jacuí aparece entre os rios que mais preocupam no cenário atual porque parte da chuva mais intensa é prevista para a bacia. Também exigem atenção os rios Sinos e Gravataí, que já apresentam níveis elevados, além do Ibicuí e de afluentes do Uruguai.
A localização exata dos maiores acumulados será atualizada conforme o deslocamento da frente fria e as novas rodadas dos modelos meteorológicos.