Coluna da Maga
Magali Moraes: chover no molhado
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Tem expressão melhor do que essa pra resumir os últimos dias? Chuva, tudo molhado, mais chuva, molha tudo de novo. É chover no molhado falar em umidade? Me perdoe, mas ela está por toda parte. Nos pisos escorregadios, nos azulejos que suam, nos vidros embaçados das janelas. Quem aguenta esse clima? Pé gelado, outro assunto recorrente. Se pisar sem querer numa lajota solta na calçada, alguma água que empoçou da chuva vai dar um jeito de molhar o pé.
Eu olho a previsão do tempo como quem procura o pote de ouro no fim do arco-íris. Só vejo céu nublado e mais chuva no horizonte. Caso você esteja lendo essa coluna com sol lá fora, milagre! Corra pra rua e aproveite o momento. Provavelmente vai durar pouco. Esses dias vi uma nesga de sol, taí outra expressão apropriada. Nesga de sol é uma porção ínfima de luz, um fiapinho solar, uma lasquinha insuficiente de claridade. A vitamina D fica devendo.
Jovem
É chover no molhado dizer que o inverno já gelou o suficiente? Logo eu, que fui uma defensora do frio, dizendo isso. Era jovem, e os jovens não sentem os ossos e as articulações congelarem. Agora, um vento encanado entrega a idade. No meio da tarde, o corpo esfria. Na hora do banho, se pensa duas vezes. Na cama, os lençóis estão sempre mais frios do que deveriam. Enquanto isso, a Europa sofre com uma onda de calor absurda. Seremos nós no próximo verão?
Penso no lado emocional, sabe. Precisamos de motivação pra vencer esse inverno. Maio passou e nem teve veranico. Junho foi o terror dos friorentos, julho vai pelo mesmo caminho. Depois vem agosto com seus 90 dias. Em breve, enjoaremos de tanta sopa. Aliás, sorte de quem gosta de sopa. El Niño, não me leve a mal, tchau, pode sair de fininho. Proponho uma contagem regressiva pra primavera. É chover no molhado falar que logo muda a estação, que a vida é feita de ciclos.