Coluna da Maga
Magali Moraes e as janelas iluminadas
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Não sei por quê, me encantam as luzes acesas nos prédios à noite. Em cada janela iluminada, a vida se apresenta de um jeito diferente. Durante o dia, as janelas são as mesmas, o entorno também. Só falta a magia que a noite traz. Quando o céu muda de cor e a escuridão chega, os pontinhos de luz vão surgindo aqui e ali. É como se o cotidiano ficasse mais interessante. Pelo menos, pra quem vê tudo de longe. Queria ser um mosquitinho e sair voando por aí, bisbilhotando.
Você também repara nas janelas iluminadas? Senão, começa a prestar atenção. Pode pular os prédios comerciais. Se a luz está acesa é porque o pessoal segue trabalhando até mais tarde. Zero poesia. Melhor direcionar seu olhar pra casas e edifícios residenciais. Mantendo um certo afastamento que desperta a curiosidade, sem invasão de privacidade. Estamos falando de magia, lembra? E a distância contribui. É o conjunto de luzes urbanas formando uma constelação.
Refúgio
Nos locais descampados, só as estrelas iluminam. Já na cidade, as janelas e casas brilham por causa das pessoas que as habitam. Gosto de imaginar quem chega da rua buscando refúgio no lar. Circular pelos cômodos, acendendo um a um. As luzes das TVs colorindo as salas, os abajures criando pontos de luz indireta. Quem são essas pessoas, seus nomes, suas histórias? Nunca vou saber. Mas agradeço por suas janelas iluminadas feito vaga-lumes no meu campo de visão.
Nesse grande palco que a cidade se transforma à noite, tenho um ponto fraco: os varais de luzinhas em calçadas de restaurantes, terraços e quintais. Me sinto um inseto subitamente atraído à luz, sabe assim? Aí quero chegar perto, quero ver os detalhes. Mas voltando às janelas, faltou falar das cortinas. Se forem de tecido fino, se tornam quase um elemento cênico. Um jogo de esconde-esconde. É outra forma de poesia urbana. Ou já estou vendo demais?