Coluna da Maga
Magali Moraes: jogar conversa fora
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Se você for jogar conversa fora, pode jogar no meu lixo que eu não desperdiço um bom papo. Já parou pra pensar nessa expressão? Sempre simpatizei, nunca tinha dado a devida atenção a ela. É sobre assuntos leves, jogados ao léu? Palavras soltas no ar? Não seria mais correto “jogar conversa dentro”, já que a gente sempre guarda pra si algum aprendizado que vem dessa arte milenar que é trocar ideias, escutar o que o outro tem a dizer, refletir e responder?
Com a atual profusão de telas nos hipnotizando (e entortando pescoços), quase ninguém mais conversa só por conversar. Parece que tem sempre um vídeo de IA ou meme mais interessante do que a pessoa que está ao nosso lado. É bem provável que ela também esteja com a cara enfiada na tela do celular, rolando o feed anestesiada. Quem puxa conversa primeiro? Atira uma isca, vai. Fala do tempo, da massa de pizza, do último sonho, dos planos pro findi, conta uma piada que seja.
Armadilha
Onde mais se joga conversa fora? Na fila da lotérica. Na sala de espera dos consultórios. Nos elevadores. No caixa do supermercado. Pra testar, prepara uma armadilha e depois me conta: num domingo de sol (volta logo, sol!), abre duas ou três cadeiras de praia na calçada, na frente de casa, assim como quem não quer nada. Agora é só sentar numa delas, e esperar a vizinhança passar. Mas capricha no carisma, senão nenhum assunto engaja.
Também pode jogar conversa fora na janela, no sofá, no quarto, na academia, na padaria. Quem passeia com o seu cãozinho tem mais chance de conversar com outros tutores de pets? E os pais de bebês nas pracinhas? Com certeza os avós jogam uma quantidade enorme de conversa fora contando sobre seus netos. Falando nisso, neste domingo é Dia dos Avós. Bora papear com eles sobre qualquer assunto, apenas pelo prazer de conversar. Parabéns, vovós e vovôs!