Coluna da Maga
Magali Moraes: vontade de coisa boa
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Vem do nada essa vontade. Comer uma coisa boa, sabe assim? É tudo, menos fome. Uma tarde sabor tédio ou uma semana sem grandes novidades abrem o apetite por algo que a gente não tem certeza se é doce ou salgado, nem se tem em casa (geralmente não), se compra pronto ou prepara. Mas como pesquisar a receita daquilo que nem tem nome, só tem gula? Quanto mais você pensar nisso, mais vontade de coisa boa vai sentir. E nem está na hora de comer.
O vazio é no estômago ou dentro da cabeça? São lombrigas reais ou imaginárias? Aposto que são emoções disfarçadas. Há pouco me deu essa vontade, e resolvi escrever a coluna pra ver se passa. Não tô podendo me jogar em guloseimas senão perco o foco na saúde. Escrevo uma frase, tomo uns goles de água (hidratação com distração). Tomara que a minha vontade de coisa boa não te contagie. Tem um quê de bocejo, não me pergunte por quê.
Rebeldia
Em 90% dos casos, essa coisa boa (e ainda sem nome) está ligada a muitas calorias e uma pitada de rebeldia. Uma merengada, sei lá. Um brigadeiro de colher. Ou uma fatia de torta Marta Rocha (tenho essa vontade há meses). Nunca é arroz com feijão, um clássico quando se fica um tempo longe de casa e da rotina. A vontade de coisa boa é exagerada, inesperada, inexplicada. Não respeita horários. Vai tomando forma na imaginação e vai aumentando a salivação.
Às vezes, essa vontade de coisa boa se dá em outras áreas da vida. Vontade de mudar os móveis de lugar, mudar o treino, mudar o trajeto, a armação dos óculos, o cabelo. E quando dá uma vontade louca de viajar? Conhecer lugares novos, voltar nas cidades favoritas, pegar a estrada sem rumo. Coisa boa, hein? Segura essa vontade até as próximas férias, até sobrar dinheiro, até botar a cabeça no lugar e se planejar bem. A coluna está terminando, eu sigo na vontade. E você?