Papo Reto
Manoel Soares: 50% de chances
Colunista escreve no Diário Gaúcho aos sábados


Se você está lendo este jornal agora, já tem idade suficiente para entender que a vida nem sempre é justa. Sabe que, mesmo sendo uma pessoa digna e honesta, que ama as pessoas que merecem o seu amor e que respeita todo tipo de vida, mesmo com tudo isso, você pode ter uma doença aleatória e acabar em uma cama, em estado vegetativo. As chances de ser feliz nesta vida são de 50% sempre, e esta balança só vai para um lado ou outro com base em nossas atitudes.
Se existe 50% de chances de levarmos a pior em nossa existência, para que vamos aumentar essa porcentagem contra nós? Quando tomamos decisões que dependem unicamente da sorte ou achamos que vai acontecer um milagre para nos salvar das consequências, estamos colocando mais uns quilinhos no lado da balança que nos prejudica.
Mentir, falar mal dos outros, fazer ou permitir que crueldades aconteçam em sua frente, gastar tempo e pensamento querendo prejudicar alguém, entre outras atitudes, são movimentos que colocam a balança da vida contra nós.
A vida me ensinou que o mal quer companhia. Essa verdade dolorosa quer dizer que quando fazemos o mal para alguém, ele encontra em nós um corpo para habitar. Não podemos esperar que o mal que passa a morar em nosso corpo produza resultados bons.
Se somos amigos do mal, nossa vida vai mal. Quando decidimos deixar de ser amigos do mal, ele se vinga e faz ficar pior, até que ele vê que não vamos voltar para perto e nossa vida melhora, mas antes tem uma tempestade. O bem que assiste a tudo isso, quando vê que mudamos, começa a tirar umas pedrinhas do lado da balança que nos prejudica, e aí a vida começa a rodar mais tranquila. Mas, até lá, temos que resistir às alegrias ilusionistas que a maldade nos dá, pois o preço, depois, é caro.