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Manchas por tudo 😩

Mofo no inverno? Especialista dá dicas de como prevenir o problema

Aumento da umidade e falta de ventilação favorecem a proliferação de fungos

20/07/2026 - 12h50min


Isadora Garcia
Isadora Garcia
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Chega o inverno e as manchas começam a aparecer nas paredes, no teto, em móveis e onde mais houver espaço. O mofo pode afetar até mesmo a saúde. Para evitar o problema, é necessário um cuidado que se estende ao longo do ano.

O mofo é uma proliferação de fungos e de tudo que produzem para se desenvolver no local em questão. A umidade — seja do ar, seja a que surge a partir de problemas como infiltração — está entre as principais condições para a propagação. Mas o microrganismo também precisa de "alimento": partículas de sujeira, poeira e até mesmo a gordura das mãos ao encostar nas superfícies.

— Os fungos estão em suspensão no ar, estão na nossa pele, estão em outros organismos. Em qualquer lugar em que eles se depositem, em que tenha umidade e nutrientes mínimos, eles vão se desenvolver — pontua a arquiteta e urbanista Fernanda Lamego Guerra, que pesquisa sobre crescimento biológico em materiais de construção.

O banheiro é um exemplo disso. A umidade do chuveiro e os resíduos que o corpo humano libera durante o banho formam o cenário ideal para o mofo.

Por que tem mais mofo no inverno?

Os fungos estão naturalmente presentes no ambiente em qualquer época do ano. Mas, no inverno, a falta de ventilação nos locais contribui para o aumento da umidade. 

Fernanda explica que, normalmente, as residências são construídas com baixo isolamento térmico, facilitando a perda do calor que há dentro do ambiente.

— Quando esse calor é perdido, a umidade que está no ar encontra a superfície mais fria e condensa a umidade: a água muda do estado de vapor para o estado líquido. Essa umidade acaba sendo absorvida pelas superfícies, ficando retida, e é ela que fica livre para esses fungos que estão ali naturalmente presentes encontrarem meios de se proliferarem com mais intensidade — completa.

Diferenças entre mofo e bolor

Os dois remetem ao crescimento de fungos. O mofo é mais característico em superfícies de materiais construtivos inorgânicos, como o reboco. Já o bolor é a etapa mais superficial e com aspecto semelhante a algodão, sendo mais comum em superfícies ricas em matéria orgânica.

As cores do mofo

O mofo pode apresentar diferentes colorações. Essa variação se relaciona à espécie do microrganismo e ao meio onde se desenvolve.

Vasyl/adobe.stock.com
Principal medida para evitar o mofo envolve manter paredes e teto limpos.

Cuidados com a casa para se livrar do mofo

Como ressalta a arquiteta, depois que o mofo se estabeleceu em um local, livrar-se totalmente dele é uma tarefa difícil, mas há formas de reduzir a contaminação. A especialista lista duas etapas: limpeza e desinfecção, processos que não devem ser feitos em dias úmidos ou chuvosos.

⚠️ Ao limpar uma superfície contaminada, a orientação é utilizar máscara e luvas.

  • Limpeza: umedeça e limpe a superfície com detergente neutro e esponja. A limpeza a seco não deve ser feita porque dispersa ainda mais os fungos e facilita a inalação
  • Desinfecção: umedeça a superfície e borrife uma solução de água sanitária (diluída em uma proporção de um para 10). Deixe o produto agir por cerca de 10 minutos. Remova o produto com pano úmido. A aplicação posterior de algum desinfetante pode auxiliar a perdurar o efeito. A orientação é evitar a mistura de produtos de limpeza e sempre verificar os rótulos

Quanto à secagem, se o local estiver muito molhado, vale remover o excesso com pano seco e usar alguma ventilação, se possível, junto a ar-condicionado ou aquecedor.

— Isso tudo tem a ver com reduzir disponibilidade nutricional porque estamos limpando. E quando aplicamos essa água sanitária, esse produto, estamos interferindo no pH da superfície e reduzindo a disponibilidade desses fungos — explica Fernanda.

Para além da limpeza e da desinfecção, outro ponto é a ventilação do ambiente. O ar-condicionado quente pode auxiliar nessa "luta" contra o mofo. Mas fica o alerta: o filtro deve estar limpo.

Na estrutura da moradia, como complementa Fernanda, que também é professora do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), problemas de vedação em portas e janelas contribuem para o retorno do mofo. E, quando a umidade não vem do ar, mas de problemas como infiltração, a origem deve ser localizada e resolvida.

Com que frequência limpar e desinfetar superfícies?

Mesmo que o mofo não apareça, é necessário manter as paredes e teto limpos ao longo de todo o ano. A dica é limpar esses locais pelo menos a cada 15 dias.

— É garantir que as superfícies estejam com a menor disponibilidade possível de nutriente, porque o fungo não cresce se não tem matéria orgânica disponível — reforça a pesquisadora.

Já a etapa de desinfecção deve ser feita quando o local está com o mofo aparente.

A técnica funciona para todos os tipos de superfícies?

A limpeza e a desinfecção funcionam de forma diferente em superfícies de material orgânico, como madeira. Neste caso, a recomendação de Fernanda é que o foco seja em impedir o surgimento dos fungos desde o princípio, fazendo algum tipo de proteção, como uso de verniz.

Dá para usar soluções caseiras contra o mofo?

A especialista não recomenda o uso de soluções caseiras. Isso porque, dependendo da composição da mistura, é possível que o problema se agrave.

— O próprio vinagre, o ácido acético, pode acidificar a superfície e os fungos gostam de uma superfície um pouco mais ácida — exemplifica.

Peeradontax/adobe.stock.com
No inverno, a falta de ventilação acaba por dificultar a secagem das superfícies e a renovação do ar do ambiente.

Como prevenir o mofo na construção?

O ideal, claro, é prevenir o problema desde o princípio. Fernanda destaca a importância da escolha de sistemas construtivos que sejam compatíveis com a realidade climática em que se vive: ou seja, edificações que tenham alguma capacidade de reduzir as trocas de calor intensas entre o interior e o exterior.

— A associação da umidade relativa elevada com superfícies que resfriam muito rápido em razão desse baixo isolamento acaba promovendo condensação. A água fica retida ali na superfície do material e acaba intensificando a probabilidade dos fungos se proliferarem — detalha.

E acrescenta:

— No verão, abrimos as nossas janelas, troca-se mais o ar, a superfície fica mais seca. No inverno, tendemos a fechar tudo e isso interfere nesse processo de secagem das superfícies.

Outra dica é optar por superfícies mais lisas, que facilitam a limpeza. Um exemplo está na própria tinta a ser colocada na parede:

— Comparada com uma tinta brilho, a tinta fosca tem uma rugosidade superficial que torna um pouquinho mais dificultosa a limpeza. Ela vai reter um pouco mais de umidade, um pouco mais de particulados de sujidade, o que pode eventualmente ser mais favorável para surgimento de mofo.

Papéis de parede e revestimentos de tecido também não são indicados na medida em que absorvem mais umidade, o que tende a favorecer os fungos.

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