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Morre Marcelly Malta Lisboa, referência na luta LGBT+ do país, aos 75 anos

Ativista gaúcha tem legado marcado pela defesa dos direitos humanos, da saúde e da cidadania da população trans

04/07/2026 - 20h54min

Atualizada em: 04/07/2026 - 22h51min


Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge
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Reprodução
Marcelly Malta Lisboa ocupou espaços de formulação de políticas públicas e de enfrentamento à violência.

A ativista Marcelly Malta Lisboa, uma das principais referências da luta pelos direitos da população LGBT+ no Rio Grande do Sul e no Brasil, morreu neste sábado (4), aos 75 anos. 

Nascida em Mato Leitão, no Vale do Rio Pardo, em 1951, foi uma das fundadoras da Igualdade – Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul. 

Por décadas, atuou na defesa dos direitos humanos, da saúde e da cidadania da população trans. Ocupou espaços de formulação de políticas públicas, entre elas o enfrentamento à violência.

Também presidiu o Conselho Municipal de Direitos Humanos de Porto Alegre e foi vice-presidente da Rede Trans Brasil. Teve papel fundamental na organização e divulgação da Parada Livre.

Durante a ditadura militar, enfrentou prisões, discriminação e violências.

Enfrentamento e prevenção ao HIV

Formada auxiliar de enfermagem, em 1979 a ativista foi aprovada em um concurso público para auxiliar em serviços médicos do Estado. Porém, decidiu ir embora para Europa no início dos anos 1990 em meio à epidemia de HIV/aids.

No final da mesma década, retornou ao Brasil e passou a se envolver com Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa), que reunia pessoas LGBT+ em Porto Alegre.

Marco histórico

Em 2008, foi a primeira do país a obter na Justiça o direito à retificação de nome civil em sua certidão de nascimento sem a necessidade de cirurgia de redesignação sexual.

Entidades e ativistas de todo o país destacaram o legado de Marcelly e uma história que se confunde com trajetória do movimento travesti e trans no Brasil. 

A ativista tinha comorbidades e há poucos dias esteve hospitalizada. Ela morreu em casa, na Capital gaúcha. O velório será na Casa dos Conselhos, das 7h ao meio-dia deste domingo (5). Após, será sepultada no Cemitério Jardim da Paz.



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