Despedida
Morre Marcelly Malta Lisboa, referência na luta LGBT+ do país, aos 75 anos
Ativista gaúcha tem legado marcado pela defesa dos direitos humanos, da saúde e da cidadania da população trans

A ativista Marcelly Malta Lisboa, uma das principais referências da luta pelos direitos da população LGBT+ no Rio Grande do Sul e no Brasil, morreu neste sábado (4), aos 75 anos.
Nascida em Mato Leitão, no Vale do Rio Pardo, em 1951, foi uma das fundadoras da Igualdade – Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul.
Por décadas, atuou na defesa dos direitos humanos, da saúde e da cidadania da população trans. Ocupou espaços de formulação de políticas públicas, entre elas o enfrentamento à violência.
Também presidiu o Conselho Municipal de Direitos Humanos de Porto Alegre e foi vice-presidente da Rede Trans Brasil. Teve papel fundamental na organização e divulgação da Parada Livre.
Durante a ditadura militar, enfrentou prisões, discriminação e violências.
Enfrentamento e prevenção ao HIV
Formada auxiliar de enfermagem, em 1979 a ativista foi aprovada em um concurso público para auxiliar em serviços médicos do Estado. Porém, decidiu ir embora para Europa no início dos anos 1990 em meio à epidemia de HIV/aids.
No final da mesma década, retornou ao Brasil e passou a se envolver com Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa), que reunia pessoas LGBT+ em Porto Alegre.
Marco histórico
Em 2008, foi a primeira do país a obter na Justiça o direito à retificação de nome civil em sua certidão de nascimento sem a necessidade de cirurgia de redesignação sexual.
Entidades e ativistas de todo o país destacaram o legado de Marcelly e uma história que se confunde com trajetória do movimento travesti e trans no Brasil.
A ativista tinha comorbidades e há poucos dias esteve hospitalizada. Ela morreu em casa, na Capital gaúcha. O velório será na Casa dos Conselhos, das 7h ao meio-dia deste domingo (5). Após, será sepultada no Cemitério Jardim da Paz.