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15 anos ao volante

Motorista mulher mais antiga da Carris celebra profissão, mas lamenta: "Ainda tem preconceito"

Tradicional empresa de Porto Alegre tem apenas duas mulheres conduzindo ônibus atualmente

26/07/2026 - 10h10min


Pietro Oliveira
Pietro Oliveira
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Em 1974, Teresinha Izabel entrou para a história ao realizar a primeira viagem como motorista de ônibus de Porto Alegre. Mais de 50 anos depois, a presença feminina ao volante ainda é exceção. Dos mais de 200 ônibus que circulam diariamente pela Carris, empresa de transporte público mais antiga da Capital, apenas dois são conduzidos por mulheres.

Uma delas é Cíntia Guterres, 54 anos. Funcionária da Carris há 28 anos, ela assumiu o volante há 15 e hoje é a motorista em atividade há mais tempo na empresa. A profissão é celebrada neste 25 de julho, Dia do Motorista.

Ao longo da trajetória, Cíntia enfrentou preconceitos e conquistou espaço em uma profissão historicamente masculina.

— Uns olham e ficam meio assim: "Uma mulher dirigindo?". Eu achei que eu não ia ter, mas ainda tem preconceito — lamenta.

Pietro Oliveira/Agência RBS

A história de Cíntia na Carris começou longe do volante. Em 1997, ela ingressou na empresa para trabalhar na lavagem dos ônibus durante a madrugada. No serviço, manobrava os veículos na garagem e foi incentivada pelos colegas a disputar uma vaga como motorista. Aprendeu com profissionais mais experientes, prestou concurso e foi aprovada. Desde então, nunca mais deixou o volante.

— Para ser motorista, tem que gostar. É uma profissão maravilhosa. Todo dia a gente aprende alguma coisa — celebra.

Todos os dias, Cíntia acorda às 3h30min. Por volta das 5h30min, deixa a garagem da Carris, na Zona Leste, e segue até a Restinga para iniciar uma jornada pelas linhas T12 Restinga, T2 e T2A, cruzando as zonas Leste e Sul e a região central de Porto Alegre.

Os filhos são a maior motivação para enfrentar a rotina. Cíntia é mãe de Jenifer e Jaderson, já adultos, e Alexia, de 12 anos. Mãe solo, encontrou na profissão a estabilidade para criar a família e garantir o sustento da casa:

— Tenho muito orgulho de ser motorista. Antigamente era uma profissão que as mulheres não podiam exercer. Hoje estamos quebrando esses paradigmas.


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