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Mulher espera há uma semana por leito no Litoral Norte, mesmo após duas decisões da Justiça determinarem transferência; entenda

Paciente de 57 anos permanece em pronto atendimento à espera de vaga para  tratamento especializado. Estado deve se manifestar nesta quinta-feira

16/07/2026 - 09h58min


Airton Lemos
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André Ávila/Agencia RBS
Paciente procurou auxílio após exames apontarem alterações.

Uma mulher de 57 anos de Capão da Canoa aguarda há uma semana transferência para um leito hospitalar de maior complexidade no Litoral Norte. A espera ocorre mesmo após duas decisões judiciais determinarem a internação dela em uma unidade com estrutura para exames e tratamento especializado.

Segundo a família, Ivonir Soares de Lima deu entrada no Pronto Atendimento de Capão Novo após exames apontarem alterações no pâncreas, na vesícula e no fígado. Desde então, passou por tomografia, ecografia e ressonância magnética, mas ainda necessita de exames mais complexos, que não podem ser realizados na unidade

Enquanto aguarda a transferência, recebe medicação para dor e hidratação. Conforme os familiares, o quadro clínico de Ivonir se agravou nos últimos dias, com perda de peso e dificuldade para se alimentar.

Após a publicação da reportagem, a Secretaria Estadual da Saúde afirmou, em nota, que a paciente deve ser transferida nesta quinta-feira (16) ao Hospital Santa Luzia, de Capão da Canoa.

Laudo apontou risco de complicações

O laudo médico que embasou as decisões judiciais aponta que a paciente apresenta quadro de icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos causada pelo acúmulo de bilirrubina no sangue), dor abdominal persistente e alterações nas vias biliares. 

O documento destaca a necessidade de avaliação multidisciplinar, inclusive por cirurgião, para definição do tratamento e alerta para o risco de complicações caso o quadro não seja adequadamente conduzido.

A equipe médica cadastrou Ivonir no sistema estadual de regulação de leitos (Gerint) no dia 8 de julho. Sem conseguir a transferência, a família procurou a Defensoria Pública, que ajuizou uma ação contra o Estado e o Município de Capão da Canoa. 

No dia 10 de julho, uma decisão de primeira instância concedeu tutela de urgência e determinou que a paciente fosse transferida, em até 48 horas, para um hospital habilitado em cirurgia geral e gastroenterologia/vias biliares.

O Município de Capão da Canoa recorreu, alegando que não possui estrutura para internações de alta complexidade e que a regulação dos leitos é atribuição da Secretaria Estadual da Saúde. O recurso, porém, foi rejeitado pela Segunda Turma Recursal da Fazenda Pública, que manteve o entendimento de que a responsabilidade pelo atendimento é solidária entre os entes públicos e que eventuais discussões administrativas não podem impedir o acesso da paciente ao tratamento.

Na última segunda-feira (14), como a transferência ainda não havia sido realizada, a Justiça reiterou a ordem e concedeu novo prazo de 48 horas para que os responsáveis providenciassem a internação ou informassem a previsão de disponibilização do leito. 

O TJ também determinou que fosse buscado orçamento para eventual transferência para um hospital privado, com possibilidade de bloqueio de valores públicos para custear o atendimento, caso necessário.

"Ela precisa de cuidados mais especializados"

A filha da paciente, Eliana de Lima Quintana, afirma que a família reconhece o atendimento prestado pela equipe do Pronto Atendimento de Capão Novo, mas reforça que a mãe necessita de uma estrutura hospitalar de maior complexidade.

— A gente só quer ressaltar que, no Pronto Atendimento de Capão Novo, ela está sendo muito bem atendida. O que queremos é que ela seja transferida porque sabemos que precisa de cuidados mais especializados e de exames mais detalhados — afirma.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Capão da Canoa informou que busca diariamente vagas para pacientes que aguardam transferência, tanto em hospitais da região quanto em Porto Alegre. Segundo o município, a transferência depende da regulação da Secretaria Estadual da Saúde, responsável por indicar o hospital que receberá cada paciente.

No caso de Ivonir, a afirma que tem buscado vagas em hospitais, mas que as solicitações vêm sendo recusadas em razão da superlotação.

A prefeitura também informou que o Pronto Atendimento de Capão Novo operam com restrição há dois dias devido ao elevado número de pacientes que aguardam leitos hospitalares regulados pelo Estado.

O que diz o Estado

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a paciente deve ser transferida nesta quinta-feira (16) ao Hospital Santa Luzia, de Capão da Canoa.

"A vaga foi liberada no início desta manhã (de quinta-feira, 16). Desde que soube do caso, a Secretaria da Saúde, por meio de equipes de médicos reguladores, esteve empenhada na busca da solução, avaliando a situação junto aos médicos que atendem a paciente", diz nota enviada à reportagem.

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