Alvorada
"Nosso acesso está bem delicado": dois meses após temporal, escola da Região Metropolitana aguarda retirada de árvore com risco de queda
Planta de 16 metros teve galhos quebrados por árvores no início de maio


Uma árvore de cerca de 16 metros de altura tem preocupado a comunidade escolar da Escola Estadual de Ensino Médio Nossa Senhora Aparecida, em Alvorada, na Região Metropolitana. Isso porque o guapuruvu – espécie nativa da Mata Atlântica cuja principal característica é o rápido crescimento – foi danificado por um temporal que atingiu o município na primeira quinzena de maio.
A chuva provocou rachaduras e fez com que galhos da árvore, que fica na entrada principal da instituição, fossem quebrados, além de danos no telhado e em outras estruturas da escola, localizada no bairro Jardim Aparecida. À época, a Defesa Civil do município foi chamada e constatou-se a necessidade de supressão da planta, para garantir a segurança de professores e alunos devido ao risco de queda de vegetação.
O problema é que, mais de dois meses depois, ninguém se apresentou para realizar o serviço.
– Após uma visita do (Corpo de) Bombeiros, a Defesa Civil informou que não possuía o equipamento necessário para derrubar a árvore. Nos preocupa, porque, com estes alertas referentes à chegada do El Niño, como que eles não têm os instrumentos para nos proteger ou auxiliar em caso de temporais? – indaga a orientadora Fernanda Moraes, que relatou a situação ao Diário Gaúcho.
Acesso prejudicado
No ofício enviado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente solicitando autorização para a supressão da árvore, ao qual a reportagem teve acesso, o diretor Olavo Trisch explica que o acesso principal da escola precisou ser interditado, e que, provisoriamente, a entrada está ocorrendo pelo estacionamento. Porém, acrescenta que “esse percurso inclui dois lances de escadas, o que gera preocupação quanto à segurança da comunidade escolar, especialmente em dias de chuva”.
No documento, Trisch adiciona que “os estudantes cadeirantes precisam ser carregados para transpor as escadas, situação que compromete a acessibilidade e, em alguns casos, ocasiona faltas às aulas, prejudicando o processo educacional”.
– Temos muitos alunos de inclusão também, que não necessariamente precisam da rampa, mas têm pouca mobilidade. Também há professores que precisam de maior acessibilidade, porque (a entrada provisória) é íngreme para subir. Então, o nosso acesso hoje está bem delicado – complementa a orientadora.
Conforme Fernanda, a demora motivou a escola a buscar um orçamento privado para a realização do serviço. O valor informado, de R$ 5,3 mil, assustou:
– Não gostaria que a escola precisasse tirar uma verba, que a gente já não tem, para fazer algo que um órgão competente poderia fazer – finaliza.
Contrapontos
O que diz a prefeitura
Procurada pelo Diário Gaúcho, a Prefeitura de Alvorada informou que a Defesa Civil foi acionada e esteve no local, mas não conseguiu realizar o serviço devido à falta de equipamento apropriado para remoção da árvore. Ainda segundo a prefeitura, “a área onde a árvore está localizada pertence a uma escola da rede estadual de ensino” e “nesses casos, a manutenção da área é de responsabilidade do Estado”.
Com isso, o Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para que “fossem adotadas as providências cabíveis, considerando as atribuições da corporação em ocorrências que envolvam risco à segurança das pessoas”. A reportagem questionou qual exatamente é o equipamento que o órgão não tem e se algo está sendo feito para adquiri-lo, mas não recebeu retorno.
O que dizem os bombeiros
Conforme o Corpo de Bombeiros, “houve uma falta de comunicação entre a Defesa Civil Municipal e o Corpo de Bombeiros de Alvorada”, e, mesmo após diversas solicitações da escola, a demanda não havia chegado para atendimento do pelotão.
Informou ainda que os bombeiros estiveram na quarta-feira na instituição, isolaram a área de risco e combinaram com o diretor de realizar a retirada do guapuruvu na próxima segunda-feira, dia de início das férias escolares.
*Com orientação e supervisão de Émerson Santos