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"O primeiro desastre a ser evitado é a perda de vidas", diz Leite sobre previsão de chuva para os próximos dias no RS

Estado pode receber acumulados de 150mm entre esta segunda-feira e domingo

28/07/2026 - 10h44min


Caroline Garske
Caroline Garske
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Isadora Garcia/Grupo RBS
Encontro reuniu empresa e representantes do poder público nesta segunda.

Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (27), no Palácio Piratini, o governador do RS, Eduardo Leite, alertou sobre as condições meteorológicas previstas para os próximos dias. Entre esta segunda e domingo (2), a previsão é de acumulados superiores a 100mm. Até 10 de agosto, o Rio Grande do Sul deve registrar instabilidade. 

Ao abrir a coletiva, Leite ressaltou a importância da prevenção para mitigar os danos dos eventos climáticos. O governador destacou que não é possível blindar o RS, mas sim reduzir os impactos em um Estado onde, segundo Leite, as condições climáticas extremas "serão mais recorrentes", pois é "uma característica". 

— Preparação não é estarmos blindados para que nada aconteça. Os eventos climáticos extremos trarão algum grau de transtornos, impactos ao Rio Grande do Sul, como trazem a qualquer lugar do mundo — disse Leite, reiterando que o governo do RS, junto às prefeituras e ao governo federal, trabalha para controlar a situação.

Os prognósticos mudam constantemente, o que torna o cenário mais complexo, de acordo com o governador.

— Temos um contexto desafiador, haverá transtornos, haverá impactos. O Estado não está blindado, está mais preparado. Preparação não é não acontecer nada, é termos conhecimento do risco, entendermos nossa vulnerabilidade, atuarmos sobre elas e dar a devida atenção aos municípios. Não podemos evitar o evento climático, nós podemos evitar o desastre e o primeiro desastre a ser evitado é a perda de vidas.

O governador também observou que "proteger vidas não é prever o futuro com perfeição", e que as autoridades se amparam na ciência para proteger a população. Segundo Leite, os próximos meses trarão desafios.

Cenários apresentados pela Defesa Civil

O meteorologista Bruno Ribeiro, do Centro de Monitoramento da Defesa Civil do RS, afirmou que há risco de tempestade com granizo e rajadas de vento nesta segunda-feira (27) na Fronteira Oeste. Segundo Ribeiro, há dois eventos de precipitação previstos para os próximos dias. Um que dura desta segunda até quarta-feira (29), e outro de sexta-feira (31) até segunda-feira (3).

Entre segunda e quarta-feira, há dois cenários:

  • Acumulado de 150mm em 24 horas no Centro, Oeste e Vales
  • Acumulado de 150mm em 24 horas na Campanha, Costa Doce e Sul do RS

Vanderleia Schmitz, hidróloga da Defesa Civil do RS, explicou que os cenários disponíveis hoje para previsão não indicam que o Guaíba deve atingir a cota de inundação, apenas de atenção.

O coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, falou das limitações do sistema de alertas e explicou que os modelos de previsão divergem para os mesmos períodos. Desde a enchente histórica de 2024, porém, o órgão se reestruturou e conseguiu ampliar a margem para prevenção, com instalação de radares e aumento da equipe:

— Não estamos blindados, mas estamos desde 2024 trabalhando na preparação. 

De acordo com o coordenador, 134 municípios do RS já são monitorados nacionalmente para contenção de cheias em áreas de risco. Boeira citou também o conhecimento local como algo que faz a diferença diante das divergências. 

São três frentes de atuação com gabinetes de crise, conforme o coronel, em Santa Maria, Lajeado e São Sebastião do Caí. 

— Não tínhamos essa capacidade dois anos atrás, hoje temos condições de fazer esses movimentos, sempre alinhados com as prefeituras municipais e de forma antecipada — completou o coordenador da Defesa Civil do RS.

Porto Alegre 

O prefeito da Capital, Sebastião Melo, deu um panorama da situação em Porto Alegre. Ele citou que a prefeitura trabalha no refinamento do sistema de contenção às cheias em Porto Alegre e destacou a obra na zona sul da Capital, no bairro Guarujá. Melo também afirmou que todas as casas de bombas da capital estão funcionando.

Ainda de acordo com Melo, mais nove casas de bombas estão sendo implementadas em Porto Alegre. Assim, a Capital ficará com 32 casas de bombas.

— Temos 80 mil pessoas que moram em área de risco em Porto Alegre, não é apenas onde foi atingido pela enchente. Hoje temos uma Defesa Civil mais fortalecida, um sistema próprio da nossa Defesa Civil local. Esse refino das informações dá uma condição de dizer o que vai acontecer em Porto Alegre. Pra Porto Alegre, por exemplo, estamos prevendo 100mm para os próximos dias — disse o prefeito.

Também participaram da coletiva Pedro Capeluppi, titular da Secretaria de Estado da Reconstrução Gaúcha (Serg), Douglas Martello, prefeito de Alvorada e presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), e Ique Vedovato, presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).

Confira a apresentação do Governo do RS:



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