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Paciente aguarda há dois anos por exame

Daniel Lucas Alves sofre com crises convulsivas desde 2022 e solicitou ressonância magnética em 2024, mas conseguiu entrar na fila do SUS apenas no início deste ano

28/07/2026 - 05h00min


Luiza Weiler*
Assistente de Conteúdo
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Daniel Lucas Alves/Arquivo Pessoal
Técnico apresentou primeira requisição do neurologista.

Em 2022, o técnico em eletrônica Daniel Lucas Alves, 44 anos, começou a ter crises convulsivas regularmente. Ele realizou uma série de exames, incluindo uma tomografia e diversos procedimentos cardíacos e, mesmo assim, sua condição seguia sendo classificada como idiopática – com causa ou origem exata desconhecida.

Após dois anos de acompanhamento, ele foi encaminhado para uma consulta com um neurologista no Hospital de Viamão, que solicitou a realização de uma ressonância magnética. O exame era uma das únicas etapas importantes que Daniel ainda não havia realizado, e poderia ser a chave para finalmente descobrir a origem de suas crescentes crises.

– É o que falta, todos os outros eu já fiz e não apareceu nada. O exame mais complexo que pode existir, para ver se tem ou não alguma coisa, é a ressonância – explica ele. 

Em 2024, quando o neurologista submeteu o pedido, o Hospital de Viamão ainda estava sob a administração da Fundação Universitária de Cardiologia (FUC). Após a FUC entrar em recuperação judicial, a instituição de saúde foi vendida para o município e repassada para o Instituto Maria Schmitt (Imas) em agosto daquele ano. Menos de um ano depois, em julho de 2025, a gestão foi transferida ao Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde, grupo de São Paulo que já atuava na UPA do município. 

No meio dessas trocas de administração, Daniel foi notificado de que, na realidade, a solicitação do seu médico não havia sido registrada pelo hospital, e ele não tinha entrado na fila de espera pela ressonância magnética.

Prioridade

Por conta disso, em 2026, outro médico neurologista efetuou um pedido de prioridade para Daniel, que estava esperando há mais de um ano e havia sido colocado no final da fila. Mesmo assim, o paciente diz que o pedido não acelerou os trâmites da situação.

– Eu mandei para eles a requisição, feita no início de 2024. Aí agora o último neurologista com quem eu consultei, em março, fez uma nova requisição pedindo prioridade, porque eu tô esperando há todo esse tempo. E mesmo assim, o caso está sendo tratado como se eu tivesse pedido o exame só agora – ressalta ele.

Em abril deste ano, Daniel entrou em contato com a ouvidoria do SUS, que encaminhou o caso para a Secretaria Municipal de Alvorada – cidade onde ele reside. O protocolo ficou parado com o status “em análise” por mais de um mês, ultrapassando a data limite para resolução do problema. 

Quando ele alertou a ouvidoria do atraso, foi orientado a procurar a 1ª Coordenadoria Regional da Saúde (CRS), que poderia oferecer mais informações sobre o caso. No momento em que ele entrou em contato com a entidade estadual, no entanto, foi orientado a registrar a demanda na ouvidoria do SUS e buscar orientações na secretaria municipal de sua cidade – ambos os procedimentos já realizados anteriormente

– Parecia que eu estava sendo jogado de um lado para o outro, ficavam terceirizando a responsabilidade. Sempre me diziam para entrar em contato com alguma outra pessoa, com quem eu já tinha falado – desabafa.

Desconforto constante

Ao longo dos quatro anos em que vem sofrendo com crises convulsivas, Daniel diz que enfrenta dificuldades cada vez maiores no seu dia a dia. Além de ter que lidar com restrições de mobilidade, ele também sofre com desconforto constante, sempre temendo que algum fator externo desencadeie um novo episódio.

– É muito angustiante não saber exatamente o que está causando isso, porque estou sempre sujeito a ter alguma crise em algum momento inoportuno. Estou esperando há mais de dois anos por esse exame, o que também aumenta a ansiedade e o estresse, fatores agravantes – conta. 

O técnico em eletrônica também afirma enfrentar complexidades no trabalho, pois as crises o impedem de realizar atividades em alturas, bem como outros procedimentos que exigem grande esforço físico. Daniel explica que isso ocorre pois a desidratação aumenta muito o risco de ocorrer uma possível crise, mesmo com a administração dos remédios receitados pelo neurologista.

Contraponto

/// Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde de Alvorada afirma que a regulação de exames de média e alta complexidade, como a ressonância, fica sob a responsabilidade do Estado. 

/// A secretaria explica que o Hospital de Viamão recebeu comunicação oficial do Estado no dia 16 de julho para prosseguir com o exame. Afirma que seguirá acompanhando o caso.

/// A Secretaria Estadual de Saúde, em nota, declarou que não é responsável por regular exames. 

/// A pasta estadual diz, ainda, que não pode fornecer dados sobre casos específicos, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados.

*Com orientação e supervisão de Émerson Santos


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