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Prefeitura instala duas novas comportas e conclui etapa de recuperação do sistema contra cheias em Porto Alegre

Nos próximos dias serão feitos ajustes finais e testes das estruturas localizadas ao longo da Avenida Castello Branco

07/07/2026 - 11h29min


Marcelo Gonzatto
Marcelo Gonzatto
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O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) concluiu nesta segunda-feira (6) a instalação das últimas duas comportas que faltavam para renovar a barreira de proteção contra cheias em Porto Alegre — estrutura que falhou durante a enchente de 2024 e agravou a inundação na Capital.

A comporta de número 12 foi colocada no domingo (5), e a 11 foi instalada nesta segunda no dique formado pelo leito da Avenida Castello Branco. Nos próximos dias, serão realizados ajustes em fixações e materiais isolantes como borrachas, além de testes finais. 

Essa é a última etapa do processo de recuperação do sistema de contenção e uma das correções fundamentais para fazer frente à expectativa de chuvas acima da média em razão da formação do fenômeno El Niño neste ano.

— Ao finalizar esse importante capítulo no sistema de proteção de cheias da Capital, a gente muda radicalmente o nível de proteção da cidade — afirma o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone.

A linha de segurança formada pelo Muro da Mauá e pelo dique da Castello Branco, onde se distribuíam 14 comportas, não suportou a dimensão da cheia de dois anos atrás. Além de as folhas metálicas terem apresentado vazamentos, uma delas, de número 14, foi retorcida pela pressão da água. Como resultado, toda a estrutura passou por um processo de reforma.

Das 14 passagens originais, oito foram substituídas por estruturas permanentes em concreto armado: 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14. Essas aberturas foram planejadas para facilitar o acesso ao porto, mas tiveram sua utilização reduzida ao longo dos anos. 

As comportas 1, 2, 4 e 6, ao longo do Muro da Mauá, foram modernizadas. Os portões de aço foram submetidos à usinagem (processo de recuperação de materiais metálicos) e receberam novas peças fabricadas sob medida. Foram investidos cerca de R$ 11 milhões nessas obras.

Com a instalação de duas novas comportas, a renovação de toda essa estrutura cumpriu sua última etapa. Agora, a Capital conta com apenas seis passagens com portões móveis.

— Nos próximos dias, esperamos fazer os testes necessários de vedação com as borrachas novas, e faremos atualizações ao longo do período. Mas esse é um capítulo muito importante (que foi cumprido) — complementa Perrone.

Uma das novas comportas foi instalada nas proximidades da Avenida São Pedro, e a outra nas imediações das avenidas Brasil e Cairu. Segundo o diretor-presidente do Dmae, essas peças suportam uma carga hidrodinâmica superior em relação às anteriores e contam com um sistema de fechamento que permite mais agilidade em caso de cheia iminente. 

Vinícius Morelli/Dmae
Guindaste foi utilizado no processo de colocação das peças

Alterações no trânsito

Para garantir a segurança viária na Rua João Moreira Maciel (localizada próximo à margem do Guaíba) na fase final dos trabalhos, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) informa que, a partir desta segunda-feira, a circulação estará liberada apenas para acesso local a partir da Avenida Ernesto Neugebauer, no bairro Humaitá.

Os acessos entre a Rua Voluntários da Pátria e a Avenida Portuária, através das comportas 11, pela Avenida São Pedro, e 12, na altura da Avenida Cairu, permanecem fechados. 

A EPTC orienta que os condutores redobrem a atenção à sinalização e às indicações dos agentes de trânsito e, sempre que possível, planejem seus deslocamentos com antecedência para minimizar os impactos no tráfego da região.

Como está o andamento de outras obras contra cheias na Capital

Pôlderes 7 e 8

As obras para proteção da área localizada entre os bairros Anchieta e Sarandi, na Zona Norte, foram iniciadas há 10 dias. Equipes atuam na construção de um dique, com cem metros de extensão, entre o Arroio Passo das Pedras e o Rio Gravataí. Além disso, será instalado um sistema móvel de fechamento das galerias que ligam o Arroio Areia ao manancial. A previsão é de conclusão das intervenções, que têm investimento de R$ 47 milhões, até o final de agosto.

Condutos forçados

As obras nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia estão na fase final. O Dmae atua na instalação das novas tampas herméticas responsáveis pela vedação das estruturas. A previsão é de conclusão até o final de julho.

Usina do Gasômetro

A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) trabalha na contratação das correções pontuais no prédio da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico, visando à proteção da estrutura em caso de cheia do Guaíba. As obras, já iniciadas, serão concluídas até o final de agosto.

Ebab Moinhos de Vento

A Estação de Bombeamento de Água Bruta (Ebab) Moinhos de Vento também passa por obras de proteção. O objetivo é corrigir as falhas que possibilitaram a entrada da água do rio pela unidade operacional durante a cheia de 2024. A previsão é de conclusão em julho.

Malha ferroviária

Os trilhos da empresa Rumo, que fragilizam o sistema de proteção contra cheias na avenida Ernesto Neugebauer, receberão obras do Dmae nas próximas semanas. A previsão é de que as melhorias sejam concluídas em menos de um mês após o início das intervenções.

Dupla alimentação de energia

As Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) dos bairros Sarandi e Anchieta, na Zona Norte, estão sendo ligadas à rede de energia que atenderá exclusivamente as estruturas operadas pelo Dmae. As casas de bombas 6, 9, 10, 20 e 21 fazem parte da quarta etapa das obras contratadas junto à CEEE Equatorial, que devem ser concluídas em novembro.

Além do lote 4, que já se encontra na fase de implantação dos novos postes, também está em andamento o lote 3, ainda na etapa de projetos. Os dois primeiros já foram entregues, garantindo a dupla alimentação de energia elétrica às Estações de Tratamento de Água (ETAs) Moinhos de Vento, São João, Menino Deus e Tristeza, bem como à Ebap 7, localizada na avenida Sertório.

Casas de bombas

Permanece em andamento a elaboração e consolidação dos projetos executivos das obras de resiliência climática nas Ebaps 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20. A etapa antecede o início das intervenções civis — que incluem a qualificação das estruturas prediais, além do fornecimento e da instalação de novos equipamentos eletromecânicos.

Parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente nas unidades. Já a licitação para as obras de resiliência climática nas estações 1, 3 e 4, na área central, está em fase de análise das propostas recebidas.

Diques

Equipes da prefeitura, lideradas pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab) e pelo Escritório da Reconstrução, seguem trabalhando no acolhimento das famílias que residem na área do trecho 3 do Dique do Sarandi. A última etapa de intervenções na estrutura de proteção contra cheias, contemplando dois quilômetros de extensão, será iniciada assim que a área estiver liberada.

Os trechos 1 e 2 do dique já foram recompostos, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao Rio Gravataí. O mesmo ocorreu no dique localizado junto à sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), que passou por obras entre julho de 2024 e janeiro de 2025.

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