PIQUETCHÊ
"Quero colaborar para abrir novas portas", diz primeira mulher trans a integrar concurso de prendas
Primeira mulher trans a integrar o prendado regional da 2ª RT, representante do CTG Quero-Quero afirma que quer abrir caminhos sem perder a essência da cultura gaúcha


O concurso de prendas da 2ª Região Tradicionalista (2ª RT), realizado em 27 de junho, em General Câmara, entrou para a história do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Representando o CTG Quero-Quero, de São Jerônimo, a técnica de enfermagem Bruno Pradella Machado, de 25 anos, conquistou a faixa de 2ª Prenda da 2ª RT, tornando-se a primeira mulher trans a integrar o prendado regional. O título principal foi para Evelin dos Santos Rocha, do DTG Polivalente, também de São Jerônimo.
Apesar do pioneirismo, Bruno prefere que a conquista seja vista pelo esforço dedicado ao tradicionalismo. Ela também faz questão de explicar por que manteve o nome pelo qual é conhecida.
– Quero ser apresentada como Bruno. Manter esse nome foi uma escolha consciente porque representa muito a minha mãe. É uma homenagem a ela – afirma.
Desde pequena, ela convive com a cultura gaúcha. Cresceu em uma família tradicionalista, acompanhando apresentações de dança e atividades em CTGs, onde nasceu o desejo de vestir a pilcha e representar a tradição.
Acolhimento
Bruno conta que encontrou acolhimento dentro do CTG Quero-Quero, mas reconhece que ainda enfrenta preconceito fora dele.
– Dentro do CTG Quero-Quero foi muito bom. Mas dentro da comunidade da minha região, algumas pessoas dizem que eu não mereço estar aqui. Mas acredito que qualquer mulher que estude, se dedique e participe do concurso é merecedora – diz.
Para ela, ocupar esse espaço não significa romper com a tradição, mas fortalecer a cultura e incentivar outras pessoas.
– Tradição é transmitir conhecimentos de geração para geração. Eu não destruí a cultura gaúcha. Quero colaborar para abrir novas portas e inspirar pessoas que desistiram por preconceito ou racismo a voltar a participar – diz.
Além disso, ela afirma que nunca pensou em desistir da caminhada. O incentivo da família e as experiências vividas como técnica de enfermagem ajudaram a construir a resiliência necessária para enfrentar críticas.
– Participar da fase regional foi muito gratificante. Era um sonho. Foi cansativo, devido a toda a pesquisa e estudos, mas foi maravilhoso. É com muito orgulho que agora eu levo o título de segunda prenda da minha região, que eu amo tanto – conclui.
*Com orientação e supervisão de Caroline Tidra