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Chuva intensa

"Só trazer o básico e ficar aqui": após rio invadir ruas, famílias são abrigadas em ginásio de São Sebastião do Caí

Moradores são do bairro Navegantes, o mais impactado por alagamentos no município

23/07/2026 - 10h34min


Isadora Garcia
Isadora Garcia
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Treze famílias foram encaminhadas para um abrigo em São Sebastião do Caí após a água do Rio Caí atingir ruas do município nesta quarta-feira (22). O espaço fica em um ginásio do Parque Centenário.

Ao todo, até o início da noite desta quarta, 31 pessoas, sendo oito crianças, estavam no local. Elas moram no bairro Navegantes, o mais impactado por alagamentos causados pelo rio em São Sebastião do Caí. 

Segundo equipe da prefeitura que atende no ginásio, os moradores recebem almoço, janta e um kit para café da manhã. Também ganham itens de higiene. Há chuveiro disponível no local. Os abrigados devem permanecer no local até a água atingir um nível de segurança para que voltem para as casas. 

Apesar da medida de proteção, um dos relatos que os abrigados trazem refere-se ao receio de perder o que não puderam retirar das residências. 

— A orientação era só trazer o básico e ficar aqui, só seguir o ritmo aqui — relata o pedreiro Paulo Roberto Horn, 43 anos, que está no abrigo desde a manhã desta quarta-feira.

Ele afirma ter saído de casa com a água na cintura.

Rio Caí ultrapassou cota de inundação

Isadora Garcia/Grupo RBS
Ruas alagadas ficam no bairro Navegantes.

O Rio Caí, em São Sebastião do Caí, entrou na cota de inundação no início desta quarta-feira. Desde então, registrou elevações e, a partir da metade da tarde, passou a ter reduções. Na medição das 19h, porém, o nível estava 68 centímetros acima da cota de inundação (10m50cm): 11m18cm. 

Ao longo da tarde, com a perspectiva de estabilidade e queda no nível, as equipes não fizeram mais retiradas de pessoas do bairro Navegantes. A estimativa da prefeitura é de que a água siga baixando nas próximas horas

Já acostumado com o comportamento do rio na região, o aposentado Paulo Sereno da Silva Bastos, 76 anos, explicou a Zero Hora que fica monitorando, na própria rua, até onde a água vai chegar. 

Quando atinge uma determinada residência, ele sabe que precisa sair de casa:

— Quando falta uns 30 metros para a água chegar aqui, a gente tem que sair. A gente já deixa tudo pronto. Os motoristas da prefeitura já são meus conhecidos e sabem que, quando chega ali, eu saio.

Segundo ele, em quase todos os anos, há alagamentos na região — por vezes mais baixos, por vezes mais altos.

Conforme dados do Serviço Geológico do Brasil, o Rio Caí também ultrapassou a cota de inundação (6m) em Montenegro. Na medição das 19h desta quarta-feira, o nível atingia 6m56cm. No entanto, conforme o coordenador da Defesa Civil municipal, Cássio de Vargas, a situação não gerou transtornos no município e não houve necessidade de retirada de moradores das residências.


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