Reflexo da chuvarada
Tem risco de enchente? Quais rios do RS seguem com alerta para os próximos dias
Meteorologia prevê acumulados de chuva de até 200mm até o domingo (2), o que mantém nível de preocupação com as bacias do Estado


Com altos volumes de chuva registrados em cidades gaúchas desde segunda-feira (27) e a previsão de vir mais água até uma nova trégua, na quinta (30), órgãos públicos e especialistas monitoram possíveis cheias nos principais rios do Estado.
Conforme a Defesa Civil, há pelo menos três alertas de risco "muito alto" de inundação até o fim da manhã desta quarta (29):
- Rio Uruguai (Itaqui e Uruguaiana): vigente até as 9h
- Rio dos Sinos (São Leopoldo): vigente até as 9h
- Rio Gravataí (Gravataí): vigente até as 12h
Nesse mesmo sentido, o órgão aponta áreas com possíveis problemas hidrológicos por um período maior, até quinta-feira, quando é esperado que pelo menos a chuva amenize:
- Rio Jacuí, entre Dona Francisca e Cachoeira do Sul
- Rio Taquari, entre Encantado e Taquari
- Rio Caí, entre São Sebastião do Caí e Montenegro
- Rio dos Sinos, entre Campo Bom e São Leopoldo
- Rio Gravataí, entre Gravataí e Cachoeirinha
Em algumas bacias, porém, como na do Rio Uruguai, a tendência é de que o nível dos rios já esteja em declínio nas próximas 24 horas, como nas estações de São Borja, Itaqui e Uruguaiana.
E o Guaíba?
Conforme um boletim do Serviço Geológico do Brasil (SGB) emitido no fim da manhã de terça-feira (28), os níveis no Delta do Jacuí e no Guaíba têm possibilidade de nova elevação.
No entanto, os cenários mais críticos, a depender do volume de chuva, apontam níveis superiores à cota de alerta (2,60m) e próximos da cota de inundação (3m) em Porto Alegre, segundo o professor de hidrologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rodrigo Paiva. Ou seja, não há indicativo de transbordamento do Guaíba.
— O mais esperado é que os níveis fiquem próximos à cota de alerta, um pouco abaixo ou acima. Podendo, em um pior cenário, se aproximar da cota de inundação — ressalta.
Não existe previsão no curto prazo apontando para cheia extrema no Guaíba nos próximos dias
RODRIGO PAIVA
Professor de hidrologia da UFRGS
Por que tantas divergências?
Paiva reforça que há incerteza neste momento sobre a localização e o volume das chuvas, o que gera divergências de cenários para os próximos dias. As projeções levam em conta modelos meteorológicos diferentes e, por isso, variam nos resultados.
Sem contar que a chuva vai continuar ao longo da semana. Entre segunda-feira e domingo (2), os acumulados devem ultrapassar 200mm em diversas regiões.
— Esse cenário requer um monitoramento constante. Podemos ter o retorno das chuvas já na sexta-feira (31). Então, por enquanto, temos um cenário mais ou menos tranquilo, mas para o final de semana precisamos ter atenção — diz o hidrólogo Pedro Camargo, do Centro de Monitoramento da Defesa Civil do RS.
Chuva acumulada também preocupa
O cenário mais crítico em algumas regiões é resultado do deslocamento da onda de cheia, em decorrência da chuva acumulada na última semana. Portanto, a situação pode mudar a qualquer momento em função da possibilidade de mais tempestades.
Outro ponto que contribui para agravar a situação é a umidade do solo, conforme Camargo.
— Como nessas regiões os rios já estão mais elevados, temos solos mais úmidos. Com isso, a resposta fica mais rápida ou mais intensa. Como já temos cota de inundação em São Leopoldo, por exemplo, toda a variação de elevação é acima da cota — explica.
Como a chuva atingirá bacias já saturadas e alguns dos rios cheios, a descida de mais água torna os leitos mais vulneráveis às inundações.
— As áreas mais populosas também ficam mais expostas. Todo esse cenário gera preocupação. Principalmente para a população ribeirinha, que deve ser a mais atingida — destaca Camargo.
Qual a previsão para os próximos dias?
De acordo com a Climatempo, a instabilidade se desloca pelo território gaúcho nesta quarta, apresenta uma breve janela de trégua na quinta, mas uma nova frente fria chega no fim da semana.
A partir da tarde de sexta, vem mais chuva intensa e volumosa. Com isso, o risco de inundações deve seguir no radar.