Retratos da Vida
Banda formada por jovens em situação de vulnerabilidade social busca apoio para alçar novos voos
Na Região Metropolitana, projeto acolhe crianças e adolescentes de bairros carentes e, no ritmo das fanfarras, ensina sobre a vida


Desde 2021, a Banda Independente Anjos da Aldeia (Biaa) vem promovendo a formação de crianças e adolescentes de bairros carentes de Gravataí, na Região Metropolitana. Para isso, o grupo parte de uma arte já tradicional na cidade: a cultura dos grupos de fanfarras.
À frente do projeto, Pyerre Ferreira, 44 anos, tenta conciliar o sonho de ser lar para os jovens com as limitações financeiras. Por isso, ele vem trabalhando com campanhas de arrecadação.
– Meu sonho é melhorar a cada ano, a cada dia, a cada tempo que passa. Como um apaixonado pelo projeto e pela música, as perspectivas são as melhores – diz.
Histórico
Pyerre fundou a Biaa em novembro de 2021. O desejo pelo trabalho voluntário somou-se a uma paixão: a música. Ele lembra que é um aficionado por bandas desde os 12 anos. É também por causa dessa paixão e dos sons que são capazes de provocar que Pyerre acredita que o projeto cresceu. A maior parte da divulgação se deu no boca a boca dos jovens apaixonados por música.
– Não existe ser humano que não faça bem aquilo pelo que está apaixonado. Os nossos componentes, apaixonados que são, acabam comentando no convívio de amizades, na escola, e outros jovens vão chegando até nós – conta.
Ele lembra, porém, que não são só os ritmos que contagiam, mas também questões como dedicação e pertencimento. A música é, na verdade, a “desculpa” para reunir os jovens e passar adiante valores de vida:
– Muitas vezes chegam sem perspectiva de vida, e nós potencializamos essa parte que falta. Tentamos mostrar que a vida tem muito mais a oferecer, e eles têm muito o que conquistar. Basta saber que eles são capazes, trabalhar e ter união e respeito, valorizando tudo o que eles têm. E a gente vai vendo o reflexo com o passar dos anos.
Frutos
Após quase cinco anos de Biaa, o trabalho vem dando frutos. Pyerre relata que jovens que passaram pela Biaa entraram em diferentes setores do mercado de trabalho, como no comércio e no Exército. Muito disso, para ele, ocorre porque o projeto permite um vislumbre de novas possibilidades na vida dos jovens.
– É uma satisfação ver esse brilho nos olhos de quem conhece coisas novas. Trabalho com crianças e adolescentes que muitas vezes não conhecem nem a cidade do lado, e com o projeto conseguiram conhecer o Litoral, maravilhados, ou um pouco da Serra. A partir daí já começa a transformação do ser humano: abrindo novos horizontes, tendo novas perspectivas, conhecendo um pouco mais do mundo, o mínimo que seja. Tem dado resultado – diz ele.
Projeto busca ajuda para alçar novos voos
Por mais que leve o nome de Gravataí pelo Rio Grande do Sul afora, Pyerre conta que não recebe apoio do poder público. Por isso, toda ajuda que possa alavancar o projeto, para ter capacidade de atender mais crianças, é bem-vinda.
– Temos um trabalho totalmente independente. Não temos ainda a formalização da nossa documentação para que possamos buscar fomentos da Lei de Incentivo à Cultura. Hoje o que pedimos é: participação da comunidade, instrumentos – exemplifica Pyerre.
Além disso, no momento, o grupo foca em arrecadação para participar de mais uma das competições que vêm confirmando o sucesso do projeto.
Em 2024, o grupo foi campeão estadual de bandas. No ano seguinte, ficou em terceiro lugar. Ambas as classificações permitiam participação no campeonato nacional, mas questões financeiras impediram que isso acontecesse.
Em outubro, o grupo parte para sua terceira disputa no Estadual de Bandas, realizado em Erechim, no norte do Estado. A Biaa contou com a Associação Gaúcha de Bandas para as taxas de inscrição, mas ainda precisa contratar o transporte.
Para doar e acompanhar
/// Para fazer doações e saber mais informações sobre o projeto, basta entrar em contato com Pyerre pelo WhatsApp: (51) 99954-0866
/// É possível acompanhar a Biaa no Instagram @biaa_bandaindependente.
*Com orientação e supervisão de Lis Aline Silveira