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Mistério na Capital

Carpas aparecem em espelho d'água de Porto Alegre; ninguém sabe como foram parar lá

Executivo municipal e órgão adotante do espaço afirmam desconhecer origem dos peixes e quem os teria colocado lá

13/08/2026 - 10h45min


André Malinoski
André Malinoski
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O espelho d'água do Largo dos Açorianos, em Porto Alegre, está repleto de carpas. Os peixes podem ser vistos no espaço nadando em grupos. Porém, ninguém sabe quem, quando e quantos animais foram inseridos no local.

Conforme a prefeitura, não há programa de manejo instituído pelo Executivo municipal ou pelo adotante do espaço – no caso, a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Sul (OAB/RS) – para manutenção das carpas, inclusive no que diz respeito à alimentação desses peixes. A OAB/RS confirmou para Zero Hora que não foi a responsável por ter colocado os peixes na água. 

— Não foram introduzidos pelo Município de Porto Alegre nem pelo adotante do espaço. Não constam, nos registros desta diretoria, informações que permitam identificar quando os animais foram introduzidos, sua origem, quantidade ou o responsável pela sua inserção no local — afirma a diretora de Áreas Verdes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), Verônica Riffel.

A reportagem de Zero Hora contabilizou cerca de 35 carpas. A maioria tem cor alaranjada, mas algumas são malhadas. O grupo estava concentrado no lado maior do espelho d'água, onde o sol incide diretamente. No lago onde fica a Ponte de Pedra não foi possível visualizar se havia outras. 

Após procurada pela reportagem, a Smamus disse que uma equipe da prefeitura será encaminhada ao local para fazer a análise dos peixes para a posterior retirada dos animais. Imagens de câmeras de segurança serão analisadas para tentar identificar possíveis responsáveis.

— O Largo dos Açorianos já demanda investimentos e ações de manutenção e qualificação. De modo que a necessidade de intervenções decorrentes da introdução não planejada de animais acaba por acrescentar novas demandas à gestão do espaço — observa a diretora Verônica Riffel, salientando que a introdução e o abandono de animais em espaços públicos não são autorizados pela prefeitura

Espécie exótica pode comprometer ecossistema local

A bióloga Lúcia Helena Ribeiro Rodrigues, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), descreve as características desses peixes:

— A carpa é uma espécie exótica, usada para fins de aquarismo e muito tolerante, porque tem um hábito alimentar muito variado — compartilha.

As carpas comem praticamente de tudo, dentre algas, plantas aquáticas, pequenos insetos e crustáceos. Como têm bigodes que funcionam como órgãos sensoriais, alimentam-se do que encontram no substrato do fundo dos espaços onde vivem. E são tolerantes a variações de temperatura. 

Lúcia menciona que a carpa é longeva e, dependendo das condições, pode viver até cerca de 30 anos. Em relação ao tamanho, há registros desses peixes com 40 e até 50 centímetros de comprimento

— Elas têm um ciclo reprodutivo que ocorre nos períodos mais quentes do ano. Normalmente, primavera e verão são os períodos de maior reprodução — ilustra Lúcia Helena Ribeiro Rodrigues.

Jonathan Heckler/Grupo RBS
Reportagem identificou cerca de 35 peixes no local.

As carpas depositam seus ovos sobre a vegetação submersa ou superfícies nos fundos dos lagos. O que regula o número e o tamanho dos indivíduos que nascem é a oferta de alimentos.

— A partir de setembro, elas começam a fazer a desova. Em outubro, já terão muitos filhotes novos — estima.

Segundo a bióloga, a introdução de peixes exóticos precisa ser avaliada com bastante cautela. Tudo para não gerar impactos no ecossistema nativo.

— Para não comprometer a infraestrutura e a interação dos organismos que são nativos desses ambientes — alerta.

Última manutenção nos espaços com água

Entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, os dois espaços com água do Largo dos Açorianos passaram por manutenção. Foram esvaziados, por sucção e bombeamento, e tiveram as paredes laterais e o fundo limpos. O serviço ainda incluiu a vedação das juntas de dilatação.

Na época, os peixes maiores foram retirados e levados para o Zoológico de Canoas, na Região Metropolitana. Os menores permaneceram no lago com água, enquanto o outro passava pela manutenção. 

Os serviços foram executados pela empresa Athena Construção e Paisagismo. O investimento de R$ 36.402,17 foi realizado por uma construtora em contrapartida a um empreendimento.


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