Estado de emergência
Colômbia entra no segundo dia de buscas após terremoto; número de mortos sobe para 169
Tremor de magnitude 7,4 causou destruição em diferentes cidades e deixou ainda cerca de 500 feridos

Socorristas e voluntários removem os escombros com as mãos, na Colômbia, em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes do terremoto mais forte da última década no país, que deixou até agora 169 mortos e cerca de 500 feridos.
Na manhã de segunda-feira (10), as principais cidades do oeste do país viveram momentos de pânico, com milhares de pessoas nas ruas, enquanto prédios desabavam ou sofriam graves danos.
O sismo de magnitude 7,4 ocorreu às 7h34min locais (9h34min de Brasília), segundo os serviços geológicos colombiano e dos Estados Unidos.
Nesta terça (11), a maior parte da cidade de Pereira — a mais afetada — está sem energia elétrica, enquanto dezenas de voluntários procuram com lanternas sinais de vida sob as ruínas dos prédios.
Pereira registra pelo menos 60 mortos, segundo a Associação Colombiana de Cidades Capitais, que divulgou um balanço atualizado.
O presidente do país, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há apenas quatro dias, declarou estado de emergência e se comprometeu a realizar uma operação de resgate coordenada.
Até o momento foram registrados 47 tremores secundários, segundo a autoridade geológica.
Em Bogotá, os prédios foram esvaziados e centenas de pessoas foram às ruas em meio ao ruído das sirenes. Imagens nas redes sociais mostram prédios desabando, estragos pelas cidades e pessoas correndo para se proteger.
Veja vídeos:
Socorristas removem pessoas dos escombros
Em Cali, a terceira maior cidade da Colômbia e uma das mais afetadas, socorristas removiam os escombros com as próprias mãos em busca de sinais de vida.
— Chegar aqui foi impressionante, parecia o fim do mundo, os carros e as motos na contramão, buscando entes queridos — disse à AFP o socorrista Nelson Moreno, que chegou para tentar resgatar uma amiga sob dois prédios de cinco andares colapsados. O pai de sua amiga e o bebê da mulher estão feridos, mas saíram com vida.
— Agora precisamos de lanternas e óculos por causa da poeira para seguir com os trabalhos durante a noite — acrescentou, cercado por centenas de voluntários com cães no local.
Os socorristas montam correntes humanas para tirar os destroços do edifício, com picaretas e ferramentas básicas. A cada instante, gritam "silêncio" para poder ouvir os sinais de vida dos soterrados.
Segundo o balanço mais recente do presidente, além das vítimas, há 61 prédios colapsados, 18 centros de saúde avariados e 52 instituições de educação afetadas. Apenas em Cali, 188 pessoas são consideradas desaparecidas.
Seis aeroportos sofreram problemas em suas infraestruturas e ficaram inoperantes para voos comerciais.
O epicentro foi registrado perto de San José del Palmar, em Chocó (oeste), uma região pobre que até o momento reportou 13 mortos, enquanto avançam os trabalhos de resgate.
— Eu vi pessoas saírem nuas, pessoas se jogavam de suas casas (...) desesperadas — disse Wilmer Cuesta, estudante de Direito que viu o desastre e decidiu auxiliar no resgate.
Ajuda internacional
Os Estados Unidos, aliados do novo governo, ofereceram uma ajuda de US$ 15,5 milhões (cerca de R$ 80 milhões) para lidar com a emergência.
A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a UE pôs à disposição seu serviço de satélite Copernicus para as operações de resgate. Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também ofereceram ajuda.
A estrela pop Shakira, natural de Barranquilla, escreveu uma mensagem emotiva no X: "Meu coração (...) está com as famílias que estão passando momentos de angústia".
Em suas redes sociais, o presidente Lula manifestou solidariedade ao povo colombiano e afirmou que "o Brasil permanece à disposição da Colômbia".
O terremoto foi sentido inclusive em países vizinhos, como em algumas regiões da Venezuela, na capital equatoriana, Quito, e em diversas províncias do Panamá.