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Condição para tempo severo se afasta do RS, mas milhares de pessoas ainda sentem efeitos de temporais

Estado tem 2,3 mil desalojados e mais de 200 mil imóveis sem energia elétrica. No Sul, ainda pode haver enchente

08/08/2026 - 10h44min

Atualizada em: 08/08/2026 - 10h47min


Felipe Kroth
Felipe Kroth
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Renan Mattos/Grupo RBS
Avaliação de telhado danificado, com céu azul ao fundo, em Pelotas.

A Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul emitiu mais de 50 alertas de tempo severo entre a quinta-feira (6) e a madrugada desta sexta (7). As publicações destacaram a iminência de chuva forte, granizo e ventania com potencial destrutivo em praticamente todos os cantos do Estado.

Durante esta sexta, nenhum novo aviso do tipo foi emitido. O RS teve tempo estável na maior parte das regiões, com sol e queda das temperaturas.

Mesmo assim, os efeitos dos temporais ainda são sentidos. O Estado tem 2,3 mil pessoas fora de casa (veja detalhes abaixo) e um número ainda maior de residências sem energia elétrica (confira os dados).

A conjunção de fatores meteorológicos que propiciou a tensa quinta-feira no Estado se desfez. O território gaúcho esteve sob efeito de uma frente fria associada a uma linha de instabilidade. Um sistema de baixa pressão também criou as condições para o chamado ciclone-bomba, mas, segundo meteorologistas, este fenômeno não foi responsável direto pelos estragos registrados.

— O ciclone promoveu as condições meteorológicas antes da chegada da fonte fria. Esta, sim, associada a ele, permitiu a formação das tempestades mais severas. Então, o ciclone meio que contribuiu para organizar a atmosfera e dar instabilidade. O que a gente viu foi uma frente fria que organizou uma linha de instabilidade, que avançou e causou vendavais — explicou o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Murilo Lopes.

O fim de semana deve ser de tempo melhor, mas a Defesa Civil já monitora a volta da chuva, por ora prevista para a próxima quarta-feira (12).

Uma pessoa morreu

Os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul causaram uma morte. Maicon Veríssimo Milk, 33 anos, trafegava de moto pela RS-124, em Montenegro, pouco antes das 22h de quinta, quando foi atingido por uma árvore que caiu sobre a via. Milk trabalhava como motoboy e morava em Triunfo.

Impactos do clima severo também causaram ferimentos a um motociclista em Novo Hamburgo. O homem sofreu um corte no pescoço após se enroscar em fios que se soltaram por causa do vento forte, no bairro Liberdade. Ele foi encaminhado em estado grave a um hospital.

Houve outros quatro registros de pessoas feridas, três em Dom Feliciano, na Região Sul, e um em Osório, no Litoral.

Destruição em Pedro Osório

Danos foram relatados em 114 municípios gaúchos, mas a situação que mais chamou a atenção é a de Pedro Osório, no sul do Estado, cuja zona rural foi atingida por um tornado.

A sexta foi de avaliação dos estragos no município. Os impactos se concentraram em propriedades rurais, principalmente no distrito de Matarazzo. Galpões foram destruídos e casas destelhadas, mas não houve registro de feridos. Segundo a prefeitura local, o tornado não atingiu diretamente a área mais povoada da localidade.

Cozinheira da fazenda Marini, Mariley Braga conta que nunca havia presenciado fenômeno semelhante:

— Foi horrível. A estufa foi toda destruída. A casa também perdeu o telhado. A gente tem que dar graças a Deus, porque pelo menos a vida está intacta.

Moradora da Vila Matarazzo, Mariley acredita que a situação poderia ter sido ainda pior caso o tornado tivesse passado na área residencial.

— Eu moro na vila (...) Se tivesse passado na vila, não tinha ficado nada. Foi uma destruição total — afirma.

Também houve danos significativos relatados em outras cidades. Pelotas decretou situação de emergência, com 250 casas destelhadas. Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo informou à Defesa Civil que cem casas foram danificadas, com destelhamento total ou parcial. Em Sapiranga, no Vale do Sinos, foram 90 residências afetadas. Em Rio Grande, no Sul, 60 casas tiveram danos registrados. Ainda houve prejuízos em um pavilhão e uma escola. Montenegro, no Vale do Caí, relatou à Defesa Civil que ao menos 50 moradias tiveram danos nos telhados, com a ventania.

Milhares fora de casa

O Estado tem 2.306 desalojados pelos temporais, segundo boletim da Defesa Civil do fim da tarde desta sexta. Não há informação de desabrigados. Confira em quais municípios:

  • Araricá - 56
  • Barra do Ribeiro - 4
  • Camaquã - 2
  • Capela de Santana - 8
  • Capão do Leão - 3
  • Caraá - 3
  • Eldorado do Sul - 135
  • Estância Velha - 16
  • Faxinal do Soturno - 1
  • Igrejinha - 8
  • Ivorá - 4
  • Lindolfo Collor - 1
  • Minas do Leão - 500
  • Nova Hartz - 180
  • Novo Cabrais - 12
  • Novo Hamburgo - 480
  • Passa Sete - 5
  • Portão - 180
  • Salvador das Missões - 2
  • Santa Cruz do Sul - 86
  • Santa Maria - 6
  • Sapiranga - 360
  • Silveira Martins - 1
  • Sinimbu - 7
  • São Gabriel - 4
  • São Leopoldo - 200
  • Vera Cruz - 38
  • Vila Nova do Sul - 4

Milhares sem água e energia elétrica

Segundo dados coletados pela reportagem de Zero Hora no fim da tarde desta sexta-feira, com concessionárias e empresas públicas, o Rio Grande do Sul tem 225 mil pontos sem energia elétrica e 781 mil unidades sem água.

Dos clientes sem luz, em torno de 175 mil estão na área da CEEE Equatorial e cerca de 49 mil na da RGE. Na área da CEEE, Porto Alegre é a cidade mais afetada, com aproximadamente 23 mil pontos desabastecidos. Ainda não há previsão para a normalização. 

Por causa da falta de energia elétrica, estações de água estão fora de funcionamento. Como consequência, 781.592 imóveis estão desabastecidos. Destes, 747 mil são da área da Corsan Aegea. São 102 estações companhia afetadas. Outras 22 funcionam por meio de geradores de energia. Na área do Dmae, que atende Porto Alegre, são 34 mil pontos sem água. Conforme o departamento, duas estações de bombeamento e uma de tratamento de água estão inoperantes.

Projeção de enchente no Sul

Joanna Manhago / Agência RBS
Laguna já havia ultrapassado cota de inundação no começo da semana, mas água baixou. Agora, deve voltar a subir.

O nível da Lagoa dos Patos, em Rio Grande, deve voltar a subir nas próximas horas após uma queda significativa provocada pelos ventos fortes associados ao ciclone que atingiu a região. Segundo avaliação do Centro Integrado de Estudos do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (CIEX/CCMAR), a mudança na direção dos ventos deve favorecer a retenção de água na lagoa e elevar novamente o nível em áreas próximas ao município.

Às 13h desta sexta-feira (7), o nível registrado era de 73,6 centímetros, abaixo da cota de inundação, estabelecida em 80 centímetros. A projeção, porém, é de que essa marca seja ultrapassada durante a tarde de sábado (8).

Caso a projeção se confirme, as áreas mais baixas de Rio Grande, que historicamente apresentam problemas de alagamento quando o nível da Lagoa dos Patos sobe, podem voltar a ser afetadas.

Mais vento do que chuva

Vento mais forte registrado

Entre 18h de quinta e 6h de sexta

  1. General Câmara: 134,3 km/h
  2. Porto Alegre: 120,4 km/h
  3. Canoas: 113 km/h
  4. Pouso Novo: 110,7 km/h
  5. Charqueadas: 104 km/h
  6. Arroio Grande: 103,5 km/h
  7. São José dos Ausentes: 97,2 km/h
  8. Caraá: 94,1 km/h
  9. Arroio do Meio: 92,8 km/h
  10. Manoel Viana: 92,7 km/h

Acumulado de chuva

Entre 6h de quinta e 6h de sexta

  • Canguçu: 49 milímetros
  • Garruchos: 47 mm
  • Cachoeira do Sul: 46,8 mm
  • Porto Lucena: 46,6 mm
  • Ijuí: 44,8 mm

Como receber alertas da Defesa Civil

Envie o seu CEP por SMS para o número 40199.


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