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Estrelas da Periferia 

Da pista para a comunidade

DJ Cassinho vem conquistando multidões desde 2010, seja nos bailes funk, nos desfiles de Carnaval ou nas atividades com a Sociedade Cruzeiro  do Sul, de Novo Hamburgo

19/08/2026 - 05h00min

Atualizada em: 19/08/2026 - 05h00min


Luiza Weiler*
Assistente de Conteúdo
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DJ Cassinho/Arquivo Pessoal
Desde que apertou o play pela primeira vez, não parou mais.

Comandante de pistas de funk há mais de 15 anos, Cassius Valdez Trein da Silva, conhecido como DJ Cassinho, construiu uma longa trajetória na cena musical da Região Metropolitana.

Natural de Novo Hamburgo, ele faz parte de uma geração de artistas que começou a se desenvolver à medida que a tecnologia era descoberta e aprimorada. Mais do que alimentar sua paixão e seu talento para a música, Cassius precisou aprender uma linguagem completamente nova para dar os primeiros passos na carreira.

– Quando comecei a produzir meus primeiros sets, eu organizava todas as músicas em uma lan house e colocava em um pendrive. Uma vez, quando me chamaram para tocar em uma festa maior, descobri que podia tocar por link, que não precisava ter um aparelho físico comigo o tempo todo. E assim foi indo: cada vez que eu ia para algum lugar, alguém me apresentava alguma coisa nova – conta.

Essa característica nunca o abandonou. Em uma década e meia de carreira, Cassius se dedicou a desenvolver novas habilidades que pudessem contribuir para sua trajetória. 

Ao longo dos anos, fez um curso de marketing, aprendeu a produzir mídias audiovisuais e abriu sua própria produtora, onde conquistou mais liberdade para criar suas faixas.

Hoje, Cassius transformou o DJ Cassinho em um nome conhecido entre os profissionais da cena musical do Rio Grande do Sul. Chamado de “O Brabo” no universo do funk, ele é presença constante em bailes e casas noturnas da região.

Para o artista, esse desenvolvimento está diretamente ligado a uma característica que se tornou sua marca registrada nos palcos: a interatividade com o público. Segundo ele, foi esse diferencial que fez seus sets se destacarem e chamarem cada vez mais a atenção das pessoas.

– Quando comecei, assistia a muitos DJs do Rio de Janeiro e, vendo vídeos no YouTube, percebi que eles falavam bastante no microfone. Isso foi uma coisa que, aqui na região, eu meio que fui pioneiro dentro da cena dos DJs. Essa comunicação com o microfone, essa introdução para o público, não era muito utilizada aqui antes – explica.

No ritmo do samba

Para além da atuação no funk, Cassinho ainda encontra tempo para outro papel que exige liderança: é mestre de bateria da Sociedade Cruzeiro do Sul, responsável por comandar o ritmo da escola de samba durante o Carnaval.

Envolvido com a agremiação desde a infância, o artista foi convidado a assumir uma função maior na organização em 2015.

– Eu sempre gostei de Carnaval e, há pouco mais de 10 anos, o presidente da Cruzeiro me convidou para ser mestre de bateria, até pela liderança que eu já tinha com o pessoal e por toda a organização. Eu escolhi assumir o desafio – lembra Cassius.

Ainda em 2015, ele passou a fazer parte do projeto social Sábado da Gente, também realizado na Sociedade Cruzeiro do Sul. Na iniciativa, que ocorre aos fins de semana, são desenvolvidas oficinas culturais, musicais e esportivas destinadas a crianças e adolescentes da comunidade.

Esse envolvimento também se relaciona a uma das maiores paixões de Cassinho: sua filha Lavínia, hoje com 12 anos. Segundo o artista, foi ela quem primeiro o motivou a seguir fazendo o que faz.

– Eu sempre fui muito paizão, desde que a Lavínia nasceu. Gosto muito das crianças. A ideia é justamente ajudar todas elas por meio das oficinas, assim como aconteceu comigo quando comecei lá atrás. Tiveram pessoas que me ajudaram a chegar onde estou, e o propósito é justamente tentar fazer isso pela nova geração também – explica.

No final do ano passado, Cassinho acompanhou o nascimento do segundo filho, Matteo, hoje com nove meses. O momento reforçou uma convicção que ele já carregava desde o nascimento de Lavínia:

Ser pai é o meu melhor papel. A música faz parte da minha vida, mas são meus filhos que dão sentido a tudo o que faço.

*Com orientação e supervisão de Alexandre Rodrigues

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