A partir deste sábado
"É uma tristeza ter que estar se despedindo": duas linhas de lotação deixam de operar em Porto Alegre
Segundo a prefeitura, permissionários argumentaram que há baixa demanda nas linhas Jardim Vila Nova e Menino Deus

A sexta-feira (14) marcou o último dia de circulação das linhas de lotação Jardim Vila Nova e Menino Deus, em Porto Alegre. A operação deixa de ocorrer a partir deste sábado (15).
De acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a Secretaria de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, os permissionários informaram falta de passageiros e inviabilidade financeira.
O custeio da operação depende exclusivamente do pagamento da tarifa pelos passageiros — diferente do que ocorre com os ônibus, por exemplo. Dados da prefeitura indicam que a média de passageiros transportados em dias úteis na linha Menino Deus é de 500 por dia. Já na Jardim Vila Nova, é de 600 por dia. Na avaliação da EPTC e da secretaria, a demanda das duas linhas "tem plena capacidade de ser absorvida pela oferta de ônibus atual" (confira alternativas indicadas abaixo).
Em julho, diante do comunicado de que as linhas deixariam de operar, a EPTC e a secretaria lamentaram a descontinuidade da prestação do serviço e esclareceram que a "legislação vigente não confere ao Poder Público a prerrogativa de determinar a permanência da operação por parte dos permissionários".
Zero Hora contatou a Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação de Porto Alegre (ATL) e aguardava retorno até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.
Mudança na rotina

Nesta sexta-feira (14), a entrada e a saída de usuários das lotações no terminal da Avenida Senador Salgado Filho, no Centro Histórico, era acompanhada de agradecimentos. Quem cumprimentava os passageiros era o fiscal Eugênio da Silva Feijó, 60 anos.
— Para mim, está sendo triste, porque é uma vida da gente aqui. Faz 40 anos que eu estou de fiscal aqui, desde os 22 anos. E a gente faz amizade com todo mundo, os passageiros são nossos amigos. É uma tristeza ter que estar se despedindo de todo mundo que nem a gente está se despedindo dessa forma — contou.
Do lado de fora, a jornalista e professora Laura Maria Gluer, 52 anos, fotograva a lotação do Menino Deus saindo, com um conhecido dentro.
— Lamento muito, acho que a mobilidade da cidade perde com o fim dessa linha e da Vila Nova, até porque é um bairro que é próximo do Centro, mas nem sempre é fácil de se conseguir outro tipo de transporte, de aplicativo. E é uma lástima que não tem investimento do poder público para continuar a linha.
Na fila da linha Jardim Vila Nova, a cabelereira Neiva Fátima Queiroz, 52 anos, aguardava a chegada da lotação nesta tarde. Ela utilizava a linha todas as semanas, para o trajeto entre casa e trabalho e vice-versa. A opção pela lotação se dá pelo conforto:
— Os ônibus estão muito lotados. A gente vem que nem sardinha em lata. Aí eu venho de lotação.
Quais são as alternativas?
Para quem costuma utilizar alguma das duas linhas, a EPTC e a Secretaria de Mobilidade Urbana de Porto Alegre indicam como alternativas:
- 149.3 - Icaraí/Menino Deus
- 195 - TV
- 262 - Jardim Vila Nova
- R1 - Rápida Jardim Vila Nova
A avaliação do município é de que o deslocamento de ônibus nestes trechos ocorra em tempo menor do que no transporte por lotação, devido ao uso de corredores ou faixas exclusivas.
Quantas linhas existem em Porto Alegre?
Com a suspensão das duas operações, Porto Alegre seguirá com 15 linhas ativas:
- 10.3 - Cristal - Otto
- 10.4 - Ipanema
- 10.5 - Guarujá - Ponta Grossa
- 10.6 - Restinga
- 10.61 - Restinga Nova
- 10.63 - Restinga - Glória
- 10.7 - Belém Novo
- 10.71 - Belém Novo - Chapéu do Sol
- 20.2 - Otto Teresópolis - Campo Novo
- 30.2 - Partenon - Pinheiro
- 40.4 - Petrópolis - FAPA
- 50.1 - Auxiliadora
- 50.2 - IAPI
- 60.5 - Jardim Dona Leopoldina
- 60.52 - Jardim Dona Leopoldina - Cristóvão Colombo
De acordo com a prefeitura, a demanda de passageiros de lotações vem diminuindo gradativamente. Dados do município indicam que, em 2014, o sistema transportava 20,4 milhões de usuários, enquanto em 2019, o volume foi de 10,8 milhões. Em 2023, o sistema transportou 5 milhões de passageiros. E, em 2025, o volume diminuiu para 4 milhões.