Retratos da Vida
Evento gratuito em Porto Alegre discute o impacto social das bibliotecas comunitárias
Com inscrições gratuitas, a primeira edição do seminário “Beabah! – Bibliotecas para Fabular Mundos Possíveis” acontece entre os dias 4 e 5 de setembro.

Estão abertas as inscrições gratuitas para o Seminário Beabah! – Bibliotecas para Fabular Mundos Possíveis, promovido pela Rede Beabah! (Rede de Bibliotecas Comunitárias do Rio Grande do Sul). Realizado nos dias 4 e 5 de setembro, no Auditório do IFRS – Campus Porto Alegre, o encontro busca reunir pessoas e profissionais interessados em discutir o papel das bibliotecas na construção de uma sociedade mais leitora, inclusiva e participativa.
Com uma programação que articula literatura, educação, cultura e saúde, o projeto irá discutir uma multiplicidade de temáticas, que vão desde o papel das bibliotecas como espaços de afeto e escuta, até questões como a realização de práticas de leitura e remição em unidades prisionais.
O projeto reúne profissionais de diversas áreas do conhecimento, passando por pesquisadores, educadores, escritores, agentes culturais e mediadores de leitura. Para Viviane Peixoto, articuladora da Rede Beabah!, os participantes do seminário foram selecionados por apresentarem alguma conexão com as discussões abordadas:
– As pessoas que foram chamadas para compor as mesas, fazer mediação, foram todas pensadas nesse sentido. Eram pessoas que vinham de periferias, ou que tinham alguma relação com a biblioteca. Sem querer estragar a surpresa, mas o José Falero, por exemplo, tem uma história muito interessante com as bibliotecas comunitárias, que ele pretende compartilhar lá.
A organizadora explica ainda que, para além de discutir a importância e o papel das bibliotecas comunitárias, o seminário tem como objetivo articular atividades práticas, que falem diretamente com a comunidade e dialoguem com outras áreas do conhecimento. Para ela, uma das grandes potências do seminário é poder unir o saber popular com o estudo acadêmico:
– Nós temos em uma das mesas, por exemplo, o neurocientista Guilherme Nogueira, porque eu pensei que o trabalho dele conversava muito com o projeto. Ele diz que “a ciência orienta, mas o afeto transforma”. Então, quando nós nos conhecemos pessoalmente, eu disse: “Olha, isso tem muito a ver com o fazer da biblioteca comunitária”, e convidei ele.
Espaço de transformação
Fazendo jus ao título “Bibliotecas para Fabular Mundos Possíveis”, o projeto tem como objetivo ressaltar e reafirmar a importância das bibliotecas comunitárias como espaços de acolhimento e criação. Para além de aumentar a circulação de livros e estimular a leitura, o seminário busca reforçar a ideia de que esses locais também cumprem uma função social em outras esferas da vida em comunidade.
Há mais de uma década à frente da Biblioteca Comunitária do Arvoredo, na Lomba do Pinheiro, Viviane observa que muitos frequentadores buscam nesses espaços mais do que livros – procuram um ambiente de acolhimento e escuta, onde é possível compartilhar experiências, angústias e até dores da vida.
– Logo que eu tinha começado na Arvoredo, uma vez chegou uma senhora que me disse assim: “Olha, mataram toda a minha família. Me ajuda a encontrar o livro para eu poder entender a morte?”. Foi uma história de feminicídio (na família dela), e 10 anos atrás não se tinha visibilidade para esse assunto. Mas essa mulher, ela não pegou o livro naquele dia, nem no outro. Ela levou muito tempo, até que tivesse condições (emocionais), mas ela continuava frequentando a biblioteca. E até hoje ela vai lá, tem o espaço como referência – conta.
Desde crianças menores, que precisam de um lugar para brincar uns com os outros, adolescentes que buscam livros e até idosos que desejam confraternizar, a biblioteca recebe um público bastante variado. Para Viviane, essa é uma das principais forças da biblioteca comunitária: permite criar relações entre vizinhos.
– O público idoso é bastante presente, por exemplo. Quando nós fizemos um projeto, uma palestra sobre algum clube de leitura, eu lembro que tinha uma senhora que disse: “Ah, eu nem consigo ler. Mas só de poder estar aqui com vocês e poder ouvir alguém recitando alguma coisa, para mim já faz uma diferença” – finaliza a coordenadora.
* Sob supervisão e orientação de Émerson Santos.
Informações
/// Atividades acontecem nos dias 4 e 5 de setembro, a partir das 8h30min.
/// A programação completa pode ser conferida no site da Rede Beabah!
/// Inscrições estão abertas por meio do formulário gzh.digital/beabah, até o início do seminário, salvo se acabarem as vagas.
*Com orientação e supervisão de Émerson Santos