Alimentos
Excesso de chuva reduz oferta de verduras e pressiona preços nas feiras no sul do Estado
Produtores relatam perdas em hortaliças e frutas após semanas de instabilidade; alface, rúcula, salsa e cebolinha estão entre os produtos mais afetados



O excesso de chuva registrado nas últimas semanas tem provocado prejuízos à produção de hortaliças no sul do Estado. Produtores enfrentam dificuldades para plantar, colher e manter as lavouras em desenvolvimento.
Entre os produtos mais afetados estão alface, rúcula, salsa e cebolinha. Em algumas propriedades, os danos ocorreram até mesmo dentro das estufas.
Segundo o extensionista rural da Emater e engenheiro agrônomo César Demené, as folhosas estão entre as culturas mais afetadas.
— O primeiro impacto é a dificuldade de manejo das lavouras, tanto para plantio quanto para colheita e tratamentos. O segundo são as doenças que aparecem por causa da umidade elevada. A falta de luminosidade também afeta o desenvolvimento das plantas. É um quadro climático bastante complexo — explica.
Produção sofre com excesso de umidade

Feirante e produtor rural, Adriano Prietsch afirma que a combinação entre chuva contínua, alta umidade e falta de sol comprometeu parte da produção.
— Principalmente pela falta de sol. Até as verduras dentro de estufa foram prejudicadas. A umidade muito alta acabou estragando a produção e não deixou as plantas crescerem normalmente — relata.
Além das hortaliças, frutas cítricas também registraram perdas.
— A gente tem citros e houve bastante apodrecimento das frutas na chácara. Foi bem complicado — afirma.
Embora esteja acostumado a lidar com períodos de instabilidade climática, Adriano diz que os reflexos já aparecem no bolso do consumidor.
— Hoje a alface está sendo vendida por R$ 5. Na semana passada estava R$ 3. Foi um aumento de praticamente 70% — conta.
Segundo ele, caso novas chuvas atinjam a região nos próximos dias, a tendência é de novas altas.
"Esse ano passou do limite"

Há 35 anos trabalhando em feiras livres, o produtor rural Eraldo Dravanz afirma que poucos períodos foram tão difíceis quanto o enfrentado neste inverno.
— Esse ano foi demais. Passou do limite. Choveu muito mesmo e prejudicou todo mundo — afirma.
Além das perdas nas hortaliças, ele destaca os impactos sobre a infraestrutura rural.
— Não é só a produção. As estradas também ficaram muito complicadas e isso dificulta tudo, desde o plantio até o transporte dos produtos — diz.
Para o produtor, o aumento dos preços deve continuar aparecendo nas próximas semanas.
— Vai refletir nos preços. Algumas mercadorias podem subir até 50%.
Efeitos podem continuar

Além dos prejuízos já registrados, a preocupação dos produtores está voltada para os próximos meses. Segundo Demené, o excesso de chuva afeta também o planejamento das próximas safras.
— O solo permanece encharcado e isso dificulta a preparação das áreas e o transplante de mudas. É um problema que não termina quando a chuva para, porque existe um efeito acumulado na produção — explica.
O especialista também alerta para a possibilidade de continuidade dos problemas climáticos, diante das projeções associadas ao fenômeno El Niño.
— Todas as previsões apontam para um El Niño fora dos padrões normais. Se isso se confirmar, poderemos ter novos impactos nos próximos meses, não apenas nas hortaliças, mas também em outras culturas.
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