Coluna da Maga
Magali Moraes e o band-aid na comida
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Foi por um triz que a minha reputação de cozinheira se arruína. É uma boa e recente reputação, que vem se firmando ano após ano desde a pandemia. Imagina colocar essa conquista a perder por causa de um mísero curativo no carreteiro. E justo com as sobras do último churrasco. Pior do que ter caído no conto da picanha em promoção (uma rocha), teria sido alguém encontrar o band-aid caído em meio à carne. Nem a salsinha e o ovo duro disfarçariam o meu constrangimento.
Não pense que me cortei no preparo do almoço. Esse tipo de coisa acontece com frequência na praia, onde eu e a minha faquinha de serviços gerais estamos sempre aprontando. Com sua ponta afiada, corto galhos em geral e alguns dedos eventualmente. Quando eu mesma crio esses acidentes, me pergunto se a distração foi pontual ou indica uma desatenção maior. Eis a resposta: no dia seguinte, me cortei com vidro. Mais um pouco, teria levado pontos.
Cicatrização
Os dois cortes seguem me relembrando do ocorrido, basta encostar ali (e tudo encosta). Enquanto a cicatrização segue o seu curso, eu sigo o meu, agindo com cuidado. Volta e meia penso no maldito band-aid caído num cantinho em cima do fogão, e sinto de novo um alívio. Curativo usado é indigesto, ninguém merece. Aliás, nem contei o fato pros cidadãos que saborearam comigo o carreteiro. Vai ser um bom teste pra saber se eles leram essa coluna.
Gastronomicamente falando, o que é pior do que achar um band-aid na comida? Em casa é menos dramático do que em restaurante? O sangue é o mesmo, sei lá. E a compaixão tende a ser maior entre familiares (quem reclamar que assuma a cozinha). Entendo que a situação se agravaria se fosse um fio de cabelo, uma mosca ou (que horror) parte de um inseto. Mas os meus nojos são diferentes dos seus. Só me perdoe se você estiver lendo e comendo.