Coluna da Maga
Magali Moraes: legendas poéticas
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Mais uma vantagem de ver filmes e séries legendados: a gente aprende sobre o mundo animal. Ou pelo menos presta atenção nisso. É o entretenimento nos fazendo revisar conhecimentos do ensino fundamental que estavam hibernando em algum cantinho do cérebro. Sabe os sons que fazem os bichos? Quando o filme é falado em outra língua, as legendas descrevem esses ruídos através de verbos e ações. Parece que as onomatopéias não entregam tudo.
É quando, entre um beijo no campo ou uma cena de suspense, há corujas piando. Patos grasnando. Pássaros gorjeando. Sapos coaxando. Grilos estridulando. Se for o tipo de legenda comum, apenas os diálogos serão traduzidos. Por mais que algum cavalo relinche, um galo cante ou um lobo uive, só teremos legendadas as falas humanas. Agora se for a legenda descritiva (closed caption), tudo será traduzido pra que qualquer pessoa se sinta inserida no contexto.
Poesia
Isso é acessibilidade audiovisual: informações sonoras não-verbais e ambientais devidamente legendadas. É também pura poesia. Por causa disso, as folhas farfalham, os ventos sopram (ou uivam feito os lobos), as ondas quebram, os galhos estalam e o fogo crepita. Quer coisa mais poética que um fogo crepitando? É bem mais legal do que dizer que a madeira faz um barulho seco quando queima. Minha legenda preferida é a das folhas farfalhando, quase um sussurro.
E o rio que corre, pra onde ele vai? Seguir a correnteza é o básico. Imagino ele correndo livre e despreocupado pelo curso das águas, observando as nuvens no céu, as aves em cima dos galhos que boiam, a vegetação que brota nas margens. Da próxima vez que você for assistir a um filme ou série, faça o teste, garanto que a história vai enriquecer nos detalhes. A versão dublada nunca é tão boa, e ainda se perde a sonoridade de um idioma diferente.