Coluna da Maga
Magali Moraes: soltos ao vento
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


A propaganda eleitoral começou há pouco tempo, e as ruas já estão tomadas por bandeiras de vento. Sabe aqueles panos pendurados em hastes verticais que são colocados em calçadas, esquinas, canteiros de rua e em frente a lojas, brigando por nossa atenção? Esse é o nome técnico: bandeira de vento. Seus fabricantes devem estar mais felizes que pinto em lixo, vendendo muitas e muitas unidades. Nada contra, mas em excesso vira poluição visual.
O que a gente vê (e só vai piorar)? Uma mistureba de cores. Uma profusão de números, siglas e nomes. Um amontoado de rostos sacudindo ao vento, todos prometendo dias melhores. O sorriso amarelo é por causa da impressão no tecido ou não? Se a gente passa de ônibus e de carro, é quase impossível memorizar tanta coisa. Duvido que quem passe caminhando vá parar e olhar tudo aquilo. São bandeiras ao vento naufragando em um mar de informação.
Ártico
Prefiro imaginar as velas ao vento do Sardinha 2, o veleiro da Tamara Klink. Estou lendo “Bom Dia, Inverno”, seu último livro sobre a invernagem em solitário que ela fez no mar congelado do Ártico. Foram oito meses sozinha no gelo, com mil perigos e uma baita felicidade. Que guria aventureira, que coragem. Recomendo a leitura, e também acompanhá-la em tempo real nas redes sociais em sua atual expedição do Pacífico ao Atlântico.
Lembrei da Tamara Kink pelo contraste desses dois universos: o dela, uma imensidão de água, natureza e silêncio. O nosso, invernando na cidade, onde quase não há paz e sossego. Também somos corajosos enfrentando os perrengues do dia a dia. Essas bandeiras de vento são a pontinha do iceberg do período eleitoral. Que a gente saiba navegar em meio a tantos candidatos e promessas. Tamara não faz nada sem informação. Nem a gente.