Eleições 2026
Por que a Região Metropolitana é decisiva na disputa pelo governo do RS? Veja as estratégias das campanhas
Área concentra mais de um terço do eleitorado gaúcho e é prioridade para as principais candidaturas ao Piratini


Com mais de 3 milhões de eleitores, a Região Metropolitana de Porto Alegre se transformou no principal campo de disputa entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. Após a eleição de 2022, na qual a passagem do segundo colocado para segundo turno se deu por apenas 2.441 votos de diferença, conquistar espaço nas cidades que cercam a Capital é prioridade para as campanhas de Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB).
O peso eleitoral explica a ofensiva. Os 34 municípios da Região Metropolitana abrigam 36,16% do eleitorado gaúcho. Dos 10 maiores colégios eleitorais do Estado, seis estão na região. Outro ativo é o perfil da população, majoritariamente urbano e considerado mais receptivo à novidades políticas do que o interiorano, tido como mais conservador.
Como nenhum dos quatro principais candidatos jamais disputou eleição ao Palácio Piratini, todos ampliam a presença nos maiores municípios na tentativa de atrair simpatizantes.
Campanha de Gabriel vê eleitor mais pragmático

Vice-governador, Gabriel Souza pretende explorar a presença do Estado na região. A ideia é manter uma agenda frequente na área, especialmente durante a semana, e reservar os finais de semana para o Interior.
O roteiro inclui visitas a obras realizadas ou apoiadas pelo governo estadual, contato com pessoas beneficiadas por programas públicos e participação em eventos organizados por deputados aliados. Entre as próximas agendas previstas está uma caminhada pelos terminais da Trensurb.
A avaliação é que o eleitor metropolitano tem um comportamento diferente de outras regiões. Na leitura dos estrategistas da campanha, o porto-alegrense e o morador do entorno tendem a fazer uma avaliação mais pragmática da administração pública, especialmente porque convivem de maneira mais direta com serviços oferecidos pelas três esferas de governo. A aposta, portanto, é transformar obras, serviços e entregas em argumento eleitoral.
Gabriel também deverá evitar depender exclusivamente de propostas apresentadas no rádio e na televisão. Com pouco tempo disponível na propaganda, a estratégia passa por caminhadas, presença física e comunicação digital, adaptando o discurso conforme o ambiente eleitoral e o desempenho da candidatura.
Juliana quer recuperar exemplos de integração

No PDT, Juliana Brizola pretende apresentar a Região Metropolitana como um território que precisa de soluções integradas. Mobilidade urbana e prevenção de cheias estão entre os temas que deverão ocupar espaço no discurso.
O argumento parte da premissa de que problemas metropolitanos não podem ser resolvidos isoladamente por uma prefeitura. A campanha pretende recuperar exemplos históricos de integração regional, como a Via do Trabalhador, implantada no governo Alceu Collares. Uma das promessas é reestruturar a Metroplan, que, na avaliação pedetista, perdeu protagonismo nos últimos anos.
No último final de semana, Juliana teve agendas em Gravataí e Canoas. Também estão previstos compromissos ao lado de lideranças do PT, como prefeitos e vereadores, aproveitando a penetração do vice Edegar Pretto na região.
Terceiro colocado em 2022, Pretto atribui o crescimento que obteve nos últimos dias de campanha à ofensiva empreendida em Porto Alegre, Alvorada e Viamão. Naquela eleição, Pretto teve desempenho superior a 25% em 13 municípios da Região Metropolitana, ultrapassando 30% em sete deles. O partido acredita que se tivesse repetido a iniciativa em Cachoeirinha e Gravataí poderia ter passado ao segundo turno.
Zucco aposta em apoio de prefeitos da direita

No PL, Luciano Zucco quer fazer da região um enclave da direita. O objetivo é se valer da força eleitoral demonstrada em 2024, quando 19 dos 34 municípios elegeram prefeitos de PL, PP, Republicanos e PRD.
O avanço foi liderado pelo partido de Zucco, que não administrava nenhuma cidade e conquistou cinco prefeituras, três delas com mais de 100 mil eleitores: Alvorada, São Leopoldo e Canoas, esta última o terceiro maior colégio eleitoral gaúcho.
Já o PP, sigla da vice Silvana Covatti, governa 10 municípios. Além de uma intensa agenda na Região Metropolitana, Zucco estipulou um roteiro de viagens no qual o retorno se dará sempre pelo cinturão, com tempo suficiente para realizar caminhadas e panfletagens nos maiores municípios.
A coligação também conta com um bom desempenho em Porto Alegre, onde tem 15 vereadores, dos quais nove concorrem a deputado. Outro ativo importante é a prefeitura da Capital. Embora o prefeito Sebastião Melo (MDB) tenha afiançado apoio a Gabriel, há espaços importantes da administração mantidos por partidos de direita, cujos indicados farão campanha para Zucco. O candidato também conta com o apoio de Melo em um eventual segundo turno, caso Gabriel fique de fora da etapa final da eleição.
Maranata vai explorar problemas em comum das cidades

Marcelo Maranata, por sua vez, parte de uma lógica ainda mais concentrada. Como o PSDB governa Viamão e tem dois vereadores em Canoas entre seus principais pontos de apoio, o partido pretende fazer uma espécie de campanha para prefeito no entorno da Capital. A ideia é manter presença constante nas ruas, investindo nas conversas com populares.
Maranata tem buscado se aproximar de trabalhadores independentes, como motoboys, taxistas e motoristas de aplicativos, em busca sobretudo do voto dos indecisos. Na Região Metropolitana, a estratégia é explorar a proximidade entre problemas enfrentados pelas cidades: transporte, segurança, saúde, enchentes, emprego e infraestrutura.
Em vez de construir uma presença homogênea em todo o Estado desde o início, Maranata busca consolidar uma base territorial na região e ampliar o eleitorado a partir dela. A vantagem é permitir maior concentração dos escassos recursos que a campanha terá em um território com enorme densidade eleitoral.
Para o restante do Estado, o PSDB escalou o vice Cláudio Diaz, que conta com penetração no no setor rural. Ele vai concentrar forças principalmente no sul do Estado, onde mantém sua base eleitoral.