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Eleições 2026

Por que a Região Metropolitana é decisiva na disputa pelo governo do RS? Veja as estratégias das campanhas

Área concentra mais de um terço do eleitorado gaúcho e é prioridade para as principais candidaturas ao Piratini

24/08/2026 - 10h35min


Fábio Schaffner
Fábio Schaffner
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Jonathan Heckler/Agencia RBS
Perfil urbano e mais receptivo a novidades políticas orienta estratégias dos candidatos a governador.

Com mais de 3 milhões de eleitores, a Região Metropolitana de Porto Alegre se transformou no principal campo de disputa entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. Após a eleição de 2022, na qual a passagem do segundo colocado para segundo turno se deu por apenas 2.441 votos de diferença, conquistar espaço nas cidades que cercam a Capital é prioridade para as campanhas de Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB).

O peso eleitoral explica a ofensiva. Os 34 municípios da Região Metropolitana abrigam 36,16% do eleitorado gaúcho. Dos 10 maiores colégios eleitorais do Estado, seis estão na região. Outro ativo é o perfil da população, majoritariamente urbano e considerado mais receptivo à novidades políticas do que o interiorano, tido como mais conservador. 

Como nenhum dos quatro principais candidatos jamais disputou eleição ao Palácio Piratini, todos ampliam a presença nos maiores municípios na tentativa de atrair simpatizantes.

Campanha de Gabriel vê eleitor mais pragmático

Duda Fortes/Grupo RBS
Estratégia inclui visitas a obras realizadas pelo Estado.

Vice-governador, Gabriel Souza pretende explorar a presença do Estado na região. A ideia é manter uma agenda frequente na área, especialmente durante a semana, e reservar os finais de semana para o Interior.

O roteiro inclui visitas a obras realizadas ou apoiadas pelo governo estadual, contato com pessoas beneficiadas por programas públicos e participação em eventos organizados por deputados aliados. Entre as próximas agendas previstas está uma caminhada pelos terminais da Trensurb.

A avaliação é que o eleitor metropolitano tem um comportamento diferente de outras regiões. Na leitura dos estrategistas da campanha, o porto-alegrense e o morador do entorno tendem a fazer uma avaliação mais pragmática da administração pública, especialmente porque convivem de maneira mais direta com serviços oferecidos pelas três esferas de governo. A aposta, portanto, é transformar obras, serviços e entregas em argumento eleitoral.

Gabriel também deverá evitar depender exclusivamente de propostas apresentadas no rádio e na televisão. Com pouco tempo disponível na propaganda, a estratégia passa por caminhadas, presença física e comunicação digital, adaptando o discurso conforme o ambiente eleitoral e o desempenho da candidatura.

Juliana quer recuperar exemplos de integração

Duda Fortes/Grupo RBS
Frente de esquerda promete reestruturar a Metroplan.

No PDT, Juliana Brizola pretende apresentar a Região Metropolitana como um território que precisa de soluções integradas. Mobilidade urbana e prevenção de cheias estão entre os temas que deverão ocupar espaço no discurso.

O argumento parte da premissa de que problemas metropolitanos não podem ser resolvidos isoladamente por uma prefeitura. A campanha pretende recuperar exemplos históricos de integração regional, como a Via do Trabalhador, implantada no governo Alceu Collares. Uma das promessas é reestruturar a Metroplan, que, na avaliação pedetista, perdeu protagonismo nos últimos anos.

No último final de semana, Juliana teve agendas em Gravataí e Canoas. Também estão previstos compromissos ao lado de lideranças do PT, como prefeitos e vereadores, aproveitando  a penetração do vice Edegar Pretto na região.

Terceiro colocado em 2022, Pretto atribui o crescimento que obteve nos últimos dias de campanha à ofensiva empreendida em Porto Alegre, Alvorada e Viamão. Naquela eleição, Pretto teve desempenho superior a 25% em 13 municípios da Região Metropolitana, ultrapassando 30% em sete deles. O partido acredita que se tivesse repetido a iniciativa em Cachoeirinha e Gravataí poderia ter passado ao segundo turno.

Zucco aposta em apoio de prefeitos da direita

Duda Fortes/Grupo RBS
Expectativa da chapa é obter um bom desempenho na Capital.

No PL, Luciano Zucco quer fazer da região um enclave da direita. O objetivo é se valer da força eleitoral demonstrada em 2024, quando 19 dos 34 municípios elegeram prefeitos de PL, PP, Republicanos e PRD. 

O avanço foi liderado pelo partido de Zucco, que não administrava nenhuma cidade e conquistou cinco prefeituras, três delas com mais de 100 mil eleitores: Alvorada, São Leopoldo e Canoas, esta última o terceiro maior colégio eleitoral gaúcho. 

Já o PP, sigla da vice Silvana Covatti, governa 10 municípios. Além de uma intensa agenda na Região Metropolitana, Zucco estipulou um roteiro de viagens no qual o retorno se dará sempre pelo cinturão, com tempo suficiente para realizar caminhadas e panfletagens nos maiores municípios.

A coligação também conta com um bom desempenho em Porto Alegre, onde tem 15 vereadores, dos quais nove concorrem a deputado. Outro ativo importante é a prefeitura da Capital. Embora o prefeito Sebastião Melo (MDB) tenha afiançado apoio a Gabriel, há espaços importantes da administração mantidos por partidos de direita, cujos indicados farão campanha para Zucco. O candidato também conta com o apoio de Melo em um eventual segundo turno, caso Gabriel fique de fora da etapa final da eleição.

Maranata vai explorar problemas em comum das cidades

Bruno Todeschini/Grupo RBS
Tucano tenta se aproximar de trabalhadores independentes.

Marcelo Maranata, por sua vez, parte de uma lógica ainda mais concentrada. Como o PSDB governa Viamão e tem dois vereadores em Canoas entre seus principais pontos de apoio, o partido pretende fazer uma espécie de campanha para prefeito no entorno da Capital. A ideia é manter presença constante nas ruas, investindo nas conversas com populares.

Maranata tem buscado se aproximar de trabalhadores independentes, como motoboys, taxistas e motoristas de aplicativos, em busca sobretudo do voto dos indecisos. Na Região Metropolitana, a estratégia é explorar a proximidade entre problemas enfrentados pelas cidades: transporte, segurança, saúde, enchentes, emprego e infraestrutura.

Em vez de construir uma presença homogênea em todo o Estado desde o início, Maranata busca consolidar uma base territorial na região e ampliar o eleitorado a partir dela. A vantagem é permitir maior concentração dos escassos recursos que a campanha terá em um território com enorme densidade eleitoral. 

Para o restante do Estado, o PSDB escalou o vice Cláudio Diaz, que conta com penetração no no setor rural. Ele vai concentrar forças principalmente no sul do Estado, onde mantém sua base eleitoral.


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