Piquetchê do DG
Projeto transforma memória das enchentes em arte
Produção audiovisual levou artistas e dançarinos gaúchos a locais marcados pela tragédia climática de 2024 para uma série sobre memória e reconstrução

A dança e a música são os fios condutores de um projeto audiovisual que revisita locais marcados pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. Intitulada Coração do Sul – Dança e Superação, a produção reúne artistas gaúchos em apresentações gravadas em Porto Alegre, Canoas e Encantado, transformando cenários da tragédia em espaços de memória e reconstrução.
Os três episódios estão disponíveis no Instagram, no perfil O Mundo do CTG.
– São três episódios, gravados em Porto Alegre, Canoas e Encantado. Em Porto Alegre, convidamos a Emily Borghetti, que participou com Gustavo Brodinho. Foi ele quem criou as três trilhas inéditas para as três cidades. Já em Canoas, o elenco adulto do CTG Rancho da Saudade participou com o músico Ricardo Bergha. Em Encantado, a Luiza Barbosa interpretou a música com o elenco de prendas do Rancho da Saudade também – conta o produtor cultural Juarez Paiva.
Além do registro artístico, o projeto carrega a experiência de quem enfrentou a enchente. Segundo Juarez, participantes vivenciaram diretamente os impactos da tragédia.
– A maior parte dos artistas que participaram foram afetados pela enchente. Esse projeto também foi para transformar essa dor em arte e dança, além de movimentar os artistas gaúchos – afirma Juarez.
As gravações foram realizadas em locais simbólicos das três cidades. Em Canoas, por exemplo, o cenário escolhido foi a praça onde está o Monumento aos Heróis Voluntários, erguido em homenagem às pessoas que atuaram no resgate e no apoio à população durante as enchentes. O espaço fica às margens da BR-116, próximo à estação Mathias Velho da Trensurb.
A produção de Coração do Sul – Dança e Superação, de acordo com Juarez, além de preservar a memória desse período, busca valorizar quem fez a diferença durante a reconstrução e mostrar que a cultura gaúcha também foi uma ferramenta de acolhimento e fortalecimento das comunidades.
O projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, com financiamento da Lei Rouanet. O planejamento cultural é da Mandala, a produção é de O Mundo do CTG, a direção musical é de Gustavo Brodinho, a direção e edição de imagens de Guilherme Valadas e a direção artística de Emerson Ribeiro.