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RS deve enfrentar El Niño "muito forte" e risco de inundações até 2027, diz Inmet

Segundo o boletim, o fenômeno pode afetar a agropecuária e gerar necessidade de replantio em áreas afetadas por enxurradas

04/08/2026 - 10h59min


Júlia Ozorio
Júlia Ozorio
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Mateus Bruxel/Agencia RBS
No Rio Grande do Sul, os efeitos do El Niño previstos incluem chuva acima da média e inundações.

O El Niño deve se intensificar no segundo semestre do ano, potencializando a ocorrência de eventos extremos no Brasil, aponta boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Rio Grande do Sul, os efeitos previstos incluem chuva acima da média e possíveis inundações.

De acordo com o documento, modelos climáticos indicam probabilidade de 100% de que o El Niño permaneça ativo até o início de 2027, com chances elevadas de se tornar um evento de intensidade muito forte entre a primavera e o verão.

Essas condições climáticas devem favorecer eventos opostos no país. A região Sul tem previsão de chuvas acima da média, o que pode resultar em inundações. Já o centro-norte do Brasil deve sofrer com precipitações abaixo do normal.

Além da disparidade nas chuvas, o boletim prevê que as temperaturas fiquem acima da média em praticamente todo o território nacional no segundo semestre do ano, favorecendo o risco de incêndios florestais na Amazônia Legal.

Possíveis impactos no RS

Assim como previsto para a região Sul do país, o RS deve ter continuidade de chuvas acima da média em quase todo o Estado entre agosto, setembro e outubro, de acordo com o relatório.

Diferentemente do cenário de 2023, quando o Estado enfrentava seca antes do El Niño, a situação atual é de solo já saturado pela água, elevando o risco de inundações nas bacias dos rios Caí, Taquari, Uruguai e Sinos com a chegada de novas chuvas.

Atualmente, os níveis do rio Uruguai, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, já estão acima da faixa de normalidade histórica do período em razão dos acumulados de chuva registrados nas últimas semanas, segundo o Inmet.

Os impactos também deverão ser sentidos no setor agropecuário. A maior disponibilidade de água no solo pode favorecer o desenvolvimento inicial das culturas de inverno e a implantação de safras de verão, como milho e soja. A previsão é de que diminua o risco de geadas tardias no final do inverno e no início da primavera.

No entanto, o excesso de chuva e a umidade persistente podem favorecer a incidência de doenças fúngicas. Além disso, o solo excessivamente molhado pode dificultar a entrada de máquinas para tratos culturais e colheita, além de gerar a necessidade de replantio em áreas afetadas por enxurradas.

O que esperar nas outras regiões do país

Norte

  • A previsão é de que o El Niño cause um volume de chuvas abaixo da média no Norte do país. O fenômeno também deve manter as temperaturas elevadas nesta região.
  • O tempo seco pode favorecer a colheita do milho e do algodão, no entanto, a baixa disponibilidade hídrica somada às altas temperaturas, deve aumentar o risco de incêndios florestais, especialmente nos Estados do Pará, Tocantins, Amazonas, Acre e Rondônia.

Nordeste

  • O El Niño deve manter as chuvas abaixo do normal no Nordeste, o que pode dificultar o início da safra de verão 2026/2027 em razão da menor capacidade de recarga do solo.
  • O potencial produtivo de lavouras de sequeiro pode ser reduzido pela restrição hídrica. Além disso, deve aumentar os custos de produção devido à necessidade extra de irrigação.
  • Conforme o documento, essa região deve enfrentar temperaturas acima da média e uma seca mais severa que a registrada no mesmo período de 2023. Atualmente, 40% da região Nordeste já está sob seca moderada.

Região Centro-Oeste

  • O fenômeno deve gerar uma combinação de calor intenso e falta de chuva, o que poderá intensificar a deficiência hídrica principalmente no norte dos Estados do Mato Grosso e de Goiás. O tempo seco deve manter o Mato Grosso sob "alerta alto" para queimadas.
  • De acordo com o boletim, a bacia do rio Paraguai pode ficar em alerta. Atualmente, ela vive a situação hidrológica mais crítica do país, agravada por anos de déficits hídricos acumulados.
  • Na agricultura, as condições climáticas podem favorecer a finalização da colheita atual, mas preocupam para o próximo ciclo. O tempo pode comprometer as pastagens, recursos hídricos e limitar o preparo das áreas para a implementação da safra de verão 2026/2027.

Região Sudeste

  • As temperaturas devem permanecer acima da média histórica no Sudeste do Brasil em razão do El Niño. O fator, combinado com o baixo volume de chuva esperado, deve contribuir para a manutenção da seca, que já atinge 76% da região, segundo o boletim. Há alerta de fogo para o Estado de Minas Gerais.
  • As temperaturas acima da média durante o período e a restrição hídrica poderão reduzir o potencial produtivo das culturas de inverno, afetar cana-de-açúcar, citros, pastagens e culturas perenes, além de dificultar o preparo das áreas para a safra de verão.

Entenda

O Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027 foi divulgado na sexta-feira (31), com o objetivo de apresentar o monitoramento, previsões e os possíveis impactos do El Niño no Brasil em 2026.

O material foi elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).


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