Coluna da Maga
Magali Moraes: "Que tal idolatrar as pessoas que fazem a diferença no nosso dia a dia?"

Eu acho uma injustiça o que fazem com o verbo tietar. As pessoas só lembram dele quando encontram alguém famoso. Aí ficam loucas pra demonstrar toda a admiração. Querem tietar com fotos, beijos e abraços, deixam a vergonha de lado e pedem autógrafo até se a criatura estiver num restaurante, almoçando de boca cheia. A tietagem é completa com elogios rasgados seja para a música que fez, o livro que escreveu, o personagem que interpretou na novela, o gol que salvou o jogo. E até o fã mais tímido vai encontrar um jeito de agir discretamente, nem que fotografe de longe pra ter o que contar depois.
Mas quantas vezes a gente consegue tietar um ídolo? Pouquíssimas. No Rio de Janeiro as chances são maiores de dobrar a esquina e ver ao vivo muitos famosos (se bem que os cariocas nem olham, os turistas é que correm atrás). Nas outras cidades e para a grande maioria das pessoas, só mesmo contando com a sorte.
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Viva os anônimos
Agora se a gente esquecer esse mundo de celebridades e pensar na vida real, vai perceber que pode tietar infinitas vezes quem rouba a cena e está bem do nosso lado. Coisa linda ser a maior tiete da irmã que nunca apareceu na TV, mas que brilha no colégio ou no trabalho. Que alegria dar gritinhos ao encontrar de surpresa uma amiga querida. É tão fácil idolatrar as pessoas que fazem a diferença no nosso dia a dia, e elas provavelmente vão parar o que estão fazendo pra nos dar um minuto de atenção. Ser fã de carteirinha do colega de trabalho que sempre nos ajuda, não esconder a paixão pelos sobrinhos, tios, pais, filhos, maridos.
A partir de agora, estamos combinados que a tietagem é liberada de segunda a segunda, sempre que você quiser demonstrar o quanto admira e gosta de alguém. Assim o verbo tietar também fica feliz porque ele passa a ser um estado de espírito, onde aplausos são distribuídos independente de fama e fortuna. Tietar é para todos!
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