Coluna da Maga
Magali Moraes: "O velhinho e o computador"

Quando cheguei pra pagar o estacionamento, ele estava todo atrapalhado. Tinha que dar a saída em dois carros pra depois liberar o meu. Mas o computador não ajudava. Parecia simples, só digitar o número da placa. Sua mão clicava repetidas vezes no mouse e nada acontecia. Clicava no lugar errado, isso sim. No meio da tela, havia uma janela que precisava ser fechada primeiro. O velhinho travou igual ao computador. Tentei ajudar, o problema é que o nervosismo o cegava.
Mesmo cansada e louca pra ir embora, fiquei quieta esperando homem e máquina se entenderem. Eu tinha acabado de sair da casa da minha mãe, onde ela também apanhou pra usar o novo celular, relutando com os botões desconhecidos. Impossível não juntar as cenas: dois fofos de cabelos brancos e os olhos assustados com a tecnologia.
Paciência
Minha mãe vai ter ajuda sempre que quiser. E aquele homem? O treinamento que recebeu foi suficiente? Tiveram paciência pra tirar suas dúvidas? Ou ele ficou com vergonha de perguntar? Os donos dos outros carros deixaram uma nota amassada em cima do balcão e saíram cantando pneu, sem esperar concluir o pagamento. Imaginei o velhinho colocando seu dinheiro minguado pra completar o valor do caixa. E pensei se ele vai conseguir segurar esse emprego, apesar da falta de familiaridade com o programa que precisa usar. Eu mesma vivo lutando com os controles da TV.
Por causa da demora, meu marido veio saber o que estava acontecendo. Expliquei baixinho e dei a última cartada: "Senhor, ele entende de computador, pode ajudar!". Finalmente o velhinho aceitou, devia estar mais cansado que a gente. Do lado de lá do balcão, eles fizeram tudo funcionar. Como é bom se colocar no lugar do outro. Nem que às vezes seja preciso ocupar fisicamente esse lugar.