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COLUNA DA MAGA

Magali Moraes: porta aberta

28/09/2015 - 09h52min

Atualizada em: 28/09/2015 - 09h52min


Miguel Neves / Divulgação

Você já sentiu vontade de voltar na casa onde morou quando criança? Pedir licença pro novo morador, contar que você foi bem feliz ali e entrar só pra dar uma espiada? Eu já. Falta coragem pra bater na porta.
Como será que a nossa memória iria reagir a esse túnel do tempo? Tenho um palpite: acho que as portinhas dentro do cérebro abririam todas de uma vez, colocando pra fora muitas lembranças esquecidas. As boas, especialmente. Com sorte, daria pra ouvir risadas, sentir o cheiro de bolo, enxergar o risco de caneta no sofá, relembrar aniversários e visualizar o pôster preto e branco dos irmãos que ficava pendurado na sala. Mesmo que as antigas paredes estejam de outra cor e o quarto da bagunça agora seja um escritório arrumadinho, não importa.
Sabe o que seria incrível? Não fotografar nada lá dentro. Proibido como nos museus. Hoje em dia, a gente precisa registrar qualquer momento com foto, senão parece que não aconteceu. Nesse tour ao passado, a brincadeira seria apenas sentir. De olhos fechados, de preferência.

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Curiosidade

Eu também queria voltar nas casas das amigas de infância e dos primos, pra reviver nossas brincadeiras e conversas. O curioso é que sinto isso ao passar na frente de algumas casas onde nunca coloquei os pés. Às vezes é um jardim bem cuidado ou uma janela simpática que despertam minha atenção e dá vontade de conhecer a família inteira.
Agora veja como é a vida. Desde que comecei a escrever no Diário Gaúcho, eu entro na casa de tantas pessoas que não conheço, mas que já conhecem uma boa parte de mim por tudo o que conto aqui. Vamos combinar uma coisa? Se um dia eu passar na frente do seu endereço e pedir pra entrar, abra a porta e diga que eu já sou de casa. Aí vai ser a sua vez de contar.

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