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Colina da Maga

Magali Moraes: a manta do sofá

28/10/2015 - 07h01min

Atualizada em: 28/10/2015 - 07h01min


Miguel Neves / Divulgação

Ela está presente em 99% dos lares brasileiros. Quando entra numa casa parece alguém da família, de tanto tempo que permanece lá. Ela é mais difícil de ir embora que visita chata. Ela é a manta do sofá, o quebra-galho que veio pra ficar.
A história é sempre a mesma. Um belo dia, você dá uma encarada no dito cujo e vê o que não queria: manchas, puídos, cor desbotando. O paninho molhado já não resolve. Truques caseiros de limpeza só criam variações de tons no tecido esgualepado. Enquanto não se decide se o sofá vai ser estofado ou substituído, a saída é disfarçar. Alguém tem a brilhante ideia de cobrir a desgraça com uma manta bem colorida. Por mais bonita que ela seja, fez-se o puxadinho. Meses ou anos vão se passar até que o sofá ganhe roupa nova ou seja convidado a se retirar (com a espuma mais fina que massa de pizza). Melhor virar logo uma garrafa inteira de vinho tinto em cima e tomar uma atitude definitiva.

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O problema é o dinheiro, que nunca sobra. E tempo pra achar estofadores e fazer orçamentos. E um sábado livre, pra dar aquela geral nas lojas. Se você tem obsessão por casa organizada, conviver com manta no sofá é pedir pra se incomodar. O motivo? Pessoas sentam, ela levanta, você arruma. Está formado o círculo vicioso, que se repetirá eternamente.
No momento atual (que já dura meses), eu sofro com três mantas lindamente escolhidas por mim, olha a ironia da vida! Uma delas brinca de estátua e nem se mexe. As outras são agitadinhas, não param quietas, parece que fazem guerra de almofadas. Meu TOC vai à loucura. Só falta usar uma régua pra alinhar tudo. Se você ligar pra mim e eu demorar a atender o celular, é porque estou ocupada ajeitando as mantas do sofá. Mesmo elas me dando assunto pra essa coluna, chega, acabou. Estou pensando seriamente em entrar com uma ação de despejo.


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