DELAS
Conheça a gaúcha que ganhou mais de 80 prêmios e vai estudar nos EUA
Colunista Giordana Cunha escreve sobre o universo feminino todas as quintas-feiras
Se alguém contasse para Victórya Leal há uns anos que seu futuro era estudar fora do país e que ganharia prêmios por meio de sua ciência, ela não acreditaria. Mas é a realidade desta menina de apenas 20 anos. Aluna de escola pública, no mês que vem ela passa a ser universitária da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos.
O processo para chegar até esse patamar, porém, precisou de escolhas certeiras. No fim do Ensino Médio, feito no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RS (IFRS), em Osório, havia passado nas universidades federais do RS e de Santa Catarina, mas ela também queria iniciar o processo na Fundação Estudar – programa que ajuda estudantes do Brasil nas etapas de inscrição e provas para ingresso em faculdades estrangeiras.
Mas, para participar desse processo na Fundação, não poderia estar matriculada em cursos brasileiros de Ensino Superior.
– Eu queria uma coisa diferente, dar um passo a mais. Mas confesso que isso (o processo) era uma coisa que eu não conseguia entender muito bem porque era realmente muito fora da minha realidade – comenta, concluindo:
– Escrevi mais de 40 redações e precisei desenvolver meu inglês, porque eu tinha aquele (inglês) que a gente aprende na escola mesmo.
Economia circular
A curiosidade andou lado a lado com Victórya. Foi o desejo de saber um pouco sobre tudo que fez ela ir atrás de respostas. Duas destas, inclusive, lhe renderam mais de 80 premiações. Criou dois aplicativos: Fidere ee Eco-Socius.
O primeiro é e-commerce (venda online) que conecta brechós a associações femininas. Já o outro, desenvolvido após uma pesquisa com mais de 500 estudantes, é um jogo de tabuleiro e app voltado à educação sustentável, criado a partir de um modelo matemático desenvolvido também por Victórya, com base no comportamento dos jovens brasileiros na economia circular.
– Quando iniciou a pandemia, percebi um problema que afetava pessoas muito próximas. Minha avó e suas amigas tinham brechós e associações femininas, mas acabaram ficando sem vender e sem contato físico nesse período por todos os motivos envolvendo a covid-19. Usei a ciência para ajudar essas mulheres – conta, detalhando:
– Porém, esse problema é uma coisa muito maior, né? Porque a gente, hoje, está em uma economia linear que é baseada em produzir os produtos consumidos de modo muito rápido, o que nos leva às mudanças climáticas e até o que aconteceu aqui no Rio Grande do Sul (enchente).
Os aplicativos Fidere e Eco-Socius são gratuitos e estão disponíveis no Google Store, mas o primeiro citado está passando por reformulação.