Noveleiros
Michele Vaz Pradella: "Vale Tudo" é um novelão atemporal
Nova versão da trama entrou no ar esta semana, adaptada por Manuela Dias


Remake é uma faca de dois gumes. Ou dá muito certo, tanto quanto a versão original, ou passa despercebido. O problema é que alguns textos envelhecem mal, exigem muitas atualizações, o que pode acabar descaracterizando a obra. Esse era um dos receios antes da estreia da nova versão de Vale Tudo. Sucesso inegável em 1988, será que ainda caberia aos tempos atuais? Aqui, respondo um sonoro SIM.
Passados 37 anos, há certas questões que continuam as mesmas. A pergunta "vale a pena ser honesto no Brasil?" caberia em qualquer época, afinal, no país do "jeitinho" e da impunidade, infelizmente, algumas feridas seguem idênticas. Manuela Dias tem mexido pouco em sua versão da obra, mais para atualizar algumas coisas como a existência de celulares e a ambição de Maria de Fátima (Bella Campos) de virar influenciadora digital. A Raquel de Taís Araujo também parece mais reativa do que a de Regina Duarte, sem deixar de lado a cegueira com relação à filha.
Honestidade
Um dos pontos altos do primeiro capítulo de Vale Tudo é o embate de Fátima com o avô. Enquanto o velho funcionário da Alfândega se orgulha de nunca ter recebido suborno, a jovem questiona se vale a pena ser tão honesto e viver uma vida humilde. "Na prática, Fátima, quem deixa passar mercadoria sem pagar imposto está prejudicando o Brasil", ressalta Salvador (Antônio Pitanga). A cena tem praticamente as mesmas falas de 1985, e é atualíssima. Essa é a maior prova de que uma boa novela é assim: atemporal.