Pobres mães!
Maria de Fátima e outras filhas ingratas da teledramaturgia
Assim como a vilãzinha de "Vale Tudo", outras personagens deram muito desgosto para suas genitoras


As falas de Odete Roitman (Debora Bloch) têm dado o que falar no remake de Vale Tudo. Outro dia, ao comentar o desejo de Cecília (Maeve Jinkings) e Laís (Lorena Lima) de adotarem uma criança, a vilã soltou:
— Adoção é um risco. Ainda mais quando se trata de crianças já maiores, que vêm com traumas, manias, vícios. Tudo isso é real.
Para além do preconceito que a fala carrega, há outro equívoco. Mesmo com filhos biológicos, não há certeza de que as expectativas serão atendidas positivamente. Basta vermos o caso de Raquel (Taís Araujo), na mesma novela. Ela carregou Maria de Fátima (Bella Campos) em seu ventre, criou, educou, passou os melhores valores, no entanto, a moça é uma tremenda pilantra.
Na ficção, há algumas personagens que são verdadeiras "filhas da mãe" (no mau sentido). Relembre!
Rebeldia

Com a reprise de História de Amor (1995), no ar atualmente nas tardes da Globo, uma nova geração passou a odiar Joyce (Carla Marins). Rebelde sem causa, a jovem vivia batendo de frente com a mãe, Helena (Regina Duarte), que tentava colocar limites na filha, sem sucesso. Ao longo da novela, vem à tona que Joyce era, na verdade, sobrinha de Helena, e que sua mãe verdadeira morreu no parto, e a descoberta desse segredo provoca novos embates. É só ao vivenciar a maternidade que a moça, enfim, se coloca no lugar de Helena, dando início a uma fase mais leve entre as duas.
Triângulo amoroso

Manoel Carlos criou as relações mais complexas de mães e filhas na teledramaturgia. Em Laços de Família (2000), o autor ousou ao mostrar o triângulo entre Helena (Vera Fischer), Edu (Reynaldo Gianecchini) e Camila (Carolina Dieckmann). Na época, a jovem foi muito criticada pelo público por ter se envolvido com o namorado da mãe. Muita gente, inclusive, deu razão a Íris (Deborah Secco), que chamava Camila de "Judas". Durante a trama, Helena deu duas grandes provas de amor à filha: primeiro, ao abrir mão de Edu, deixando o caminho livre para que ele ficasse com Camila; depois, quando a garota foi diagnosticada com leucemia, a mãezona engravidou do ex-namorado Pedro (José Mayer) para gerar o bebê que salvaria a vida de Camila.
Fantasma do passado

E por falar em triângulo amoroso envolvendo mãe e filha, Maneco abordou isso também na novela Em Família (2014). A Helena da vez era Júlia Lemmertz, que no passado teve uma relação conturbada com Laerte (Gabriel Braga Nunes). O músico se apaixona justamente por Luiza (Bruna Marquezine), filha de sua ex, e novamente se mostra um homem ciumento e abusivo. Ao ser contra o namoro, Helena entra em guerra com a filha, mas o tempo mostra que mãe sempre tem razão.
Paz só no nome

Fátima, de Vale Tudo, se daria muito bem com Josiane (Agatha Moreira), a filha ingrata de A Dona do Pedaço (2019). Aliás, há muito em comum entre as duas personagens: a falta de escrúpulos, o horror à origem humilde, a vergonha da mãe, a implicância com o próprio nome, o sonho de ser influencer... Porém, Jô fez ainda pior com sua genitora, Maria da Paz (Juliana Paes). Aliada a Régis (Reynaldo Gianecchini), a pilantra deu o golpe na mãe e se apossou da fortuna dela. Ao final da trama de Walcyr Carrasco, mãe e filha pareciam ter se reconciliado, mas o olhar demoníaco de Jô na última cena deixou claro que não foi bem assim.
Insuportável

De volta no Vale a Pena Ver de Novo, a Viagem (1994) mostra a insuportável Bia (Fernanda Rodrigues). Revoltada com a ausência do pai, a menina culpava Estela (Lucinha Lins) e falava absurdos para a mãe, que ouvia tudo passivamente. Em entrevistas, Fernanda Rodrigues contou que, na época, chegou a apanhar na rua por conta de sua personagem:
— Uma vez, eu estava andando no shopping e uma mulher me bateu com a bolsa. "Você não pode falar assim com a sua mãe!". E a minha mãe do lado, né? Minha mãe da vida real — relatou a atriz no podcast OtaLab, de Otaviano Costa.