Nova novela das sete
Embalada pelo sertanejo, "Coração Acelerado" reúne histórias de amor, superação e o sonho de viver da música
Estrelada por Isadora Cruz e Filipe Bragança, folhetim estreia nesta segunda-feira (12)


Gênero musical mais ouvido pelos brasileiros na última década, o sertanejo ditará o ritmo da próxima novela das sete da Globo, Coração Acelerado, que chega à telinha nesta segunda-feira (12). Ambientada na fictícia Bom Retorno, cidade vizinha de Goiânia, em Goiás, a trama joga luz sobre um Brasil pouco explorado pela dramaturgia, que será o palco de histórias de amor, superação e paixão pela música.
A novela está ancorada no casal de protagonistas Agrado (Isadora Cruz) e João Raul (Filipe Bragança). Unidos pelo sonho de se tornar cantores sertanejos, os dois se conhecem – e se apaixonam – ainda na infância, em um concurso de calouros mirins, mas acabam perdendo o contato. Anos mais tarde, eles se reencontram sem que um saiba quem o outro é, em momentos distintos da vida.
Enquanto João Raul consegue realizar o sonho de fazer sucesso com a música, tornando-se um dos artistas mais estourados do país, Agrado segue lutando por espaço no mercado musical sertanejo.
Mocinhos idealistas
Nascida e criada a bordo de uma caravana de shows itinerantes encabeçada pela madrinha, Zuzu (Elisa Lucinda), e a mãe, Janete (Letícia Spiller), que também é cantora, Agrado almeja viver da sua arte, mas não está disposta a se render às controvérsias do mainstream — o que inclui, por exemplo, recusar-se a mudar suas composições para que se adequem à lógica algorítmica das paradas musicais.
Para a intérprete Isadora Cruz, a mocinha é uma mulher forte e idealista, que não abre mão daquilo que acredita e corre atrás dos próprios sonhos com fé e coragem.
— Assim que peguei o texto, o que me marcou foi a Agrado vir de um lar formado somente por mulheres, que apesar de não ter uma figura paterna, permitiu que ela crescesse com muita fé na vida. Ela tem uma resiliência e uma esperança que só a criação feminina dá ao ser humano. Mesmo com as portas fechando, ela vai atrás de novas portas para abrir. A nossa heroína é um exemplo de coragem — afirma.

Bem menos corajoso que Agrado, o mocinho João Raul cede aos desmandos do ambicioso Ronei (Thomás Aquino), empresário responsável por gerenciar sua carreira, e acaba frustrado com os rumos que a vida artística tomou — com shows lotados, hits virais e muitos seguidores nas redes, mas bem pouco propósito.
Conhecido como "mozão do Brasil", o protagonista deseja romper com o empresário que transformou sua vida em um espetáculo midiático, mas esbarra na necessidade de cuidar do pai, Walmir (Antonio Calloni), que é viciado em apostas. Também enfrenta o dilema de abrir mão de uma carreira que, apesar de já não fazê-lo feliz, é bem-sucedida e simboliza a realização de um sonho.
— Ele está em busca das suas raízes pessoais, musicais e artísticas. Essa é a jornada que ele percorre ao longo da novela: um retorno ao passado para poder se reencontrar — explica o intérprete Filipe Bragança, goiano assim como o personagem. — Com a novela, eu também tive um retorno para a minha terra, e toda essa experiência foi muito enriquecedora pra mim.
Vilãs para amar odiar
A jornada de reconexão de João Raul passa pela busca da garota que, na infância, fez seu coração acelerar no concurso de calouros mirins — justamente Agrado, que à época usava Diana como nome artístico, o que dificultará o reencontro. Entretanto, os planos do galã serão atrapalhados pela influenciadora digital Naiane (Isabelle Drumonnd), com quem ele engata um romance pautado por status.
A personagem deve ser uma pedra no sapato do casal de mocinhos, além de escancarar o debate sobre os limites da exposição nas redes sociais. Contudo, conforme Isabelle Drumonnd, a antagonista também tem tudo para arrancar risadas dos espectadores:
— Naiane traz a perspectiva de uma geração que já começa no digital. Ela entende isso como uma profissão, e a gente vai trazer um pouco essa discussão. Apesar de ser uma vilã, vamos brincar com o excesso e com a loucura dela. Acho que vai divertir as pessoas.

Mas as maldades de Naiane não devem chegar nem perto daquelas cometidas por sua mãe, Zilá (Leandra Leal). A grande vilã de Coração Acelerado não vai economizar no quesito perversidade, mas também promete ser uma personagem que o público "vai amar odiar".
A aposta é feita pela própria Leandra Leal, que retorna às novelas após 11 anos afastada do gênero, em uma fase marcante de sua vida pessoal, como mãe de um bebê e uma pré-adolescente – Damião, de um ano, e Julia, de 11.
— As novelas têm um alcance gigantesco no nosso país, então, queria muito voltar a fazer. Estou em um momento muito específico, em que sair de casa tem um preço alto; mas essa novela está sendo tão gostosa, a personagem é tão maneira, que eu saio de casa feliz — revela a atriz.
Autoras experientes
Por trás de Coração Acelerado estão duas autoras craques em criar histórias embaladas pela música e com grande apelo popular: Izabel de Oliveira, responsável pelo fenômeno Cheias de Charme, e Maria Helena Nascimento, que fez sucesso com Rocky Story.
Conforme Izabel, a ideia de trazer o sertanejo para o centro da trama veio de sua paixão pela cultura popular e as semelhanças que percebe entre a música e os folhetins.
— Identifico o sertanejo como o gênero mais parecido com uma novela no universo da música. As canções sempre contam uma história de amor, falam de sentimento, são populares e comunicam imediatamente. Eu tinha uma certa fascinação por isso.
Por isso, a música não será coadjuvante. A produção musical promete ser um dos grandes destaques de Coração Acelerado, com diversas canções criadas especialmente para o folhetim, além da participação de grandes artistas – a começar por Paula Fernandes, que integra o elenco fixo como Cecília, a avó que aparece em sonhos para Agrado.
Apesar disso, segundo Izabel de Oliveira, a novela não deixará de abordar temas importantes, como o empoderamento feminino e a luta das mulheres por espaço em diferentes áreas.
Maria Helena Nascimento adianta que a novela também aprofunda questões especialmente contemporâneas, como a regulação das redes sociais e a disseminação de fake news.
— Abordamos como as redes, apesar de serem uma maneira de se divulgar, às vezes invadem a vida das pessoas. Os artistas da nossa novela se cansam dessa superexposição, das mentiras que são contadas e da rapidez com que essas mentiras se espalham.